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sexta-feira, 20 de abril de 2018

Sobre a Hoffmannseggella liliputana (Pabst) H.G.Jones

Pequena espécie que ocorre nos campos rupestres ferruginosos e quartizíticos no Quadrilátero Ferrífero, e suas intermediações.

Tem como basinômio (a denominação que a espécie recebeu em sua primeira descrição científica) Laelia liliputana Pabst, e como homotípicos (sinônimos para a mesma planta tipo, ou referência, descrita no basinônimo) Hoffmannseggella liliputana (Pabst) H.G.Jones, Sophronittis liliputana (Pabst) van den Berg & M.W.Chase e Cattleya liliputana (Pabst) van den Berg.

A razão de eu preferir utilizar o nome Hoffmannseggella liliputana, assim como Hoffmannseggella caulescens e Hoffmannseggella crispata será abordada em um post futuro.

Hoffmannseggella liliputna florida no habitat campo rupestre quartizítico.
A espécie foi descrita em 1973, e até então se acreditava tratar da menor espécie deste grupo de plantas, as outrora Laelias rupícolas, e seu nome "liliputana" foi dado em alusão dos liliputeanos, pequeno povo habitante da ilha Liliput do romance satírico As Viagens de Gulliver,  do escritor irlandês Jonathan Swiftescrito em 1726.

Gulliver sendo amarrado pelos liliputeanos.
Sob o Sol pleno o fitômero rizoma + pseudobulbo + folha normalmente não passa de 1,5 cm de comprimento, podendo quase triplicar esta medida quando a planta estiver sombreada, no entanto, nessas condições ela apenas vegeta e não floresce.

Hoffmannseggella liliputana ssob Sol pleno associada a Acianthera teres.
Hoffmannseggella liliputana sombreada.
Em campos rupestres quartzíticos geralmente os indivíduos estão muito bem encaixados nas frestas das  rochas, ou sobre a camada de detritos e fibras nas bases das canelas-de-ema (Velloziaceae) arbustivas. Já em campos rupestres ferruginosos elas também ocorrem nessas condições, e quando a canga tem a superfície mais rugosa e porosa ela se alastra de maneira mais homogênea, e sem restrição, mas em habitats alterados, que passaram a presenciar microclimas mais secos nota-se, não só pelas outras espécies vegetais associadas (fitossociologia), que as Hoffmannseggella liliputana estão definhando, apresentando uma proporção maior de pseudobulbos secos e, quando ainda vivos, desfolhados, refletindo acentuada translocação de recursos, em especial água, das partes velhas para as brotações.

Hoffmannseggella liliputana em campo rupestre quartzítico, alocada em uma pequena fresta.


Hoffmannseggella liliputana em campo rupestre ferruginoso, alastrando-se sobre canga porosa e úmida. Mais pseudobulbos vivos e folhados.
Hoffmannseggella liliputana sobre camada orgânica na base da Vellozia compacta.


Hoffmannseggella liliputana sob Sol pleno em campo rupestre ferruginoso, variante canga porosa, experimentando um microclima mais seco do que quando foi estabelecida, muitos pseudobulbos secos no indivíduo, acentuada translocação de recursos, especialmente água.
São plantas de elevada altitude, das maiores encontradas no Quadrilátero Ferrífero, pessoalmente já encontrei populações na faixa entre 1300 e 1550 m de altitude.

Sua morfologia é bastante plástica de acordo com o ambiente, suas folhas, sempre bastante suculentas, sob Sol pleno tendem à forma largo-elíptica ou elíptica, e quando mais sombreadas assumem forma lanceolada, mas em ambos os casos com o ápice atenuado, bastante suculentas e sempre eretas para diminuírem a captação da intensidade luminosa (algo já comentado aqui http://mvlocatelli.blogspot.com.br/2008/05/epidendrum-fotossntese-e-saturao.html). Sob Sol pleno seus pseudobulbos são esféricos, e vão se alongando para fusiformes conforme se aumenta o sombreamento. A inflorecência comumente uniflora, embora eventualmente sejam vistos duas a três flores no racimo, geralmente com todos os pedicelos saindo abaixo da altura das folhas, deste modo os pedicelos são mais compridos do que o próprio pendúnculo.

Mas as características mais marcantes na liliputana, e que lhe são únicas dentre todas as laelias rupícolas e cattleyas de modo geral, é o fato de suas flores sempre apontarem para cima (a Brasilaelia virens  tem um pouco disso, mas bem menos acentuado), como uma tulipa, e seus frutos serem eretos, devido ao pendúnculo e pedicelo mais resistentes, ecologicamente indicando uma projeção das flores para serem vistas, e dos frutos para disseminarem sementes com o vento, acima das frestas que comumente estão encaixadas. Casos os indivíduos apresentem essas características de maneira mais branda certamente se tratam de híbridos, naturais ou artificiais.

Indivíduo típico de Hoffmannseggella liliputana em cultivo: flores voltadas para cima, pedicelos longos e normalmente inseridos abaixo do ápice das folhas.

Outro indivíduo típico de Hoffmannseggella liliputana em cultivo: flores voltadas para cima, pedicelos longos e normalmente inseridos abaixo do ápice das folhas.
Como podem ter notado pelas fotos eu as cultivo em brita 0, ou pedrisco, em vaso plástico ou em vaso de barro, sob uma sobra de no máximo 50 %, irrigando de uma a 3 vezes por semana, e tenho tido sucesso assim.

Inflorescência de indivíduo típico de Hoffmannseggella liliputana com dois botões, inserção dos dois pedicelos abaixo da altura da folha.

Fruto ereto da Hoffmannseggella liliputana comprimida em uma fresta, projeção do fruto para melhor espalhar as sementes.

Fruto ereto da Hoffmannseggella liliputana, mesmo não tão comprimida em uma fresta.
Indivíduos de Hoffmannseggella cf. regentii (à esquerda) e de Hoffmannseggella liliputana (à direita), evidenciando que o caráter ereto do fruto da liliputana lhe é único, mesmo comparada com outras espécies simpátricas e de tamanhos equivalentes.
Aparentemente não há uma época de florescimento característica para a espécie, tanto em cultivo quanto nos habitats é possível ver indivíduos floridos ao longo do ano todo, o que as torna com um elevado potencial de hibridização com espécies simpátricas (que compartilham a mesma distribuição geográfica) do mesmo grupo, como com a Hoffmannseggella caulescens resultando no híbrido primário Hoffmannseggella ×meyerii K.G.Lacerda, dentre outros novos que estou por descrever. Quando as Hoff. liliputanas e caulescens ocorrem juntas é sempre difícil identificar nas intermediações indivíduos puros, ou seja, aqueles não hibridizados, em qualquer nível devido a retrocruzamentos com uma das duas espécies progenitoras, resultando no que denomina-se enxame de híbridos, com indivíduos com diversos níveis de introgressão (hibridação, retrocruzamento e estabilização de tipos resultantes dos retrocruzamentos pela seleção).

Hoffmannseggella ×meyerii em flor, flores projetadas para cima, herança da Hoff. liliputana.
Hoffmannseggella ×meyerii com pseudobulbos e folhas arredondados, herança da Hoff. liliputana, embora a flor não seja tão projetada para cima.
Hoffmannseggella ×meyerii em cultivo, neste há bastante herança da Hoffmannseggella liliputana, evidente pelo porte diminuto da planta, haste floral curta e flor voltada para cima.
Oficialmente na lista do Livro Vermelho da Flora de Minas Gerais (2007) a Hoffmannseggella liliputana está listada como deficiente de dados (DD) para sua categorização quanto ao nível de ameaça que esta planta corre na natureza. 

É uma espécie de pequena distribuição geográfica, pelo que já vi em exsicatas muitas vezes é determinada erroneamente em levantamentos florísticos, e ocorre, principalmente, em campos rupestres ferruginosos, passíveis de destruição para a extração do minério de ferro a qualquer momento, conforme subir a  demanda do mineral no mercado mundial, então é sim uma espécie ameaçada. Outra ameaça eminente são os incêndios em seu local de ocorrência, atualmente resido em meio deles e posso dizer que a cada ano são mais severos.

Havendo abertura de novas áreas para mineração, dentre as condicionantes ambientais exigidas pelos órgãos ambientais para implantação da atividade há o resgate de flora impactada, no entanto há uma limitação muito grande de técnicos competentes para tal, não só para a correta determinação desta e de outras espécies, mas também para o seu manejo, envolvendo acondicionamento, cultivo e reintrodução, menos ainda para a sua multiplicação.

Particularmente por muitos anos atuei como consultor na Mineradora Vale S.A. nesses segmentos, onde com muito orgulho promovi grandes avanços neste tema, diante de um fracasso histórico desta e de outras empresas. Aliado a isso projetei, implantei e treinei pessoal para o primeiro laboratório de micropropagação de plantas voltados para este fim.

Vitroplantas de Hoffmannseggella liliputana obtidas em laboratório de propagação in vitro.

Tamanduá-mirim em habitat de Hoffmannseggella liliputana na região de Ouro Branco/MG.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Habitat e um pouco da ecologia da Hoffmannseggella crispata

A razão pela qual venho aqui escrever algumas palavras sobre esta espécie é porque tenho visto muitas informações equivocadas acerca dela. 

Também, por trabalhar como consultor para empresas do setor de mineração, especialmente nas linhas de bioprospecção, multiplicação in vitro e convencional, e reintrodução de plantas nativas resgatadas de áreas impactadas, é rotineiro observar muito espaço para melhorias no manejo desta e de muitas outras espécies impactadas com a atividade, então compartilho minha experiência e divulgo o meu trabalho.

A princípio a Hoffmannseggella crispata é uma orquídea endêmica de Minas Gerais, mais precisamente da região do Quadrilátero Ferrífero (Fig. 1), e de um trecho mineiro da Serra da Mantiqueira, compreendendo a Serra Negra e o Parque Nacional de Ibitipoca, ambos próximos à cidade de Juiz de Fora/MG (Neto et al., 2009; Neto et al., 2007), no entanto alguns relatos mencionam a espécie nos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo.

De acordo com a lista da Flora Ameaçada de Minas Gerais está em perigo de extinção (categoria EN,  o que a grosso modo se traduz como "risco de extinção a médio prazo") (Fundação Biodversitas, 2016) e, pela lista do Centro Nacional de Conservação da Flora, está quase ameaçada (categoria NT) (CNFlora, 2016).

Muitos trabalhos citam a espécie como rupícola, tanto em campos rupestres quartzitos (Neto et al., 2009; Neto et al., 2007; Teixeira & Lemos Filho, 2013), quanto em campos rupestres ferruginosos (Teixeira & Lemos Filho, 2013). 

Quanto a isso é comum ver literaturas equivocadas mencionando a espécie como ocorrente em apenas um dos dois tipos de campos rupestres mencionados, tal como Bioma (2016) (que inclusive usa algumas fotos de minha autoria no livro) que em sua página 200 menciona para espécie apenas o ambiente "campo rupestre quartzítico" mas, prestando atenção, em sua página 201 há uma foto, de meia página, de um indivíduo de Hoff. crispata florido, tendo no segundo plano da foto fragmentos de canga, pois o mesmo se encontra naturalmente em um campo rupestre ferruginoso. Sob o ponto de vista prático este tipo de informação, limitada, pode gerar confusão para quem vai trabalhar com a reintrodução de exemplares resgatados desta espécie e, quer saber onde é o melhor ambiente para sua alocação. 

Acho conveniente apontar, ainda, um terceiro ambiente de ocorrência desta espécie, campos graminosos de altitude, onde ocorre como terrícola (planta de solo, ou de substratos relativamente mais espessos). Segundo o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (Santos et al., 2013) o Neossolo Litólico Hístico pode ter menos de 20 cm de profundidade antes do seu contato com a rocha, como no caso das fotos abaixo que tirei na Serra da Moeda, então, a espécie está ocorrendo em um solo bem definido.




Neste tipo de ambiente, campo graminoso de altitude sobre Neossolo Litólito, há uma vegetação composta principalmente de gramíneas nativas, com alguns arbustos esparsos, e as espécies bastante estresse tolerantes quanto ao déficit hídrico e à limitação nutricional que o solo muito raso, e pobre, proporciona. São plantas que crescem pouco e devagar, de modo que a orquídea consegue desenvolver sem ser demasiadamente abafada.

Se este ambiente equilibrado for alterado, por exemplo, com revolvimento e adubação, selecionará outras espécies, principalmente as competidoras, como ervas das famílias Malvaceae e Asteraceae, e gramíneas invasoras como capim-gordura (Melinus minutiflora) e capim-braquiária (Brachiaria decumbens), essas duas últimas espécies africanas e com pesadas restrições de uso pelos órgãos ambientais, dadas às suas características de exercerem dominância suprimindo a flora nativa do sistema, assunto controverso, ideia para futuro post no meu Edafopedos.

A meu ver, um exemplo de aplicação inadequada desta espécie em trabalhos de recuperação ambiental podemos ver em Rezende et al. (2013), que testou diferentes níveis de adubação e de profundidade de um substrato composto por fragmentos de canga. Os autores discutem que a baixa porcentagem de sobrevivência desta espécie é em decorrência de coletas, no entanto, independentemente disso, ao vermos na figura abaixo as ervas que se desenvolvem em profusão, já é plausível inferir subdesenvolvimento (brotos cada vez menores) até a morte dos indivíduos, em outras palavras, este tipo de planta não é deste tipo de ambiente, por razões que estão sendo apresentadas aqui nesta postagem.



Mas, na foto abaixo, temos um bom exemplo de uma reintrodução bem sucedida de exemplares da espécie, respeitando características do substrato que iniba o desenvolvimento de outro grupo de plantas que suprimiriam as Hoff. crispata do ambiente.


A Hoff. crispata, assim como outras Hoffmannseggellas, tem uma plasticidade morfológica muito grande em função do habitat, em uma escala micro, ou seja, num raio de 30 cm pode ter um indivíduo localizado em uma fresta mais profunda, com pseudobulbos delgados alcançando 20 cm de altura, e outro indivíduo sobre a rocha nua, com pseudobulbos arredondados alcançando cerca de 8 cm de altura.

Estando em uma variante de campo rupestre denominado de canga nodular, que como o nome diz consiste em nódulos concessionários, de diâmetro médio de 1 m, intercalados com frestas mais profundas, há muitos arbustos sombreando a Hoff. crispata, e é onde seu porte fica maior, pseudobulbos com até 30 cm de comprimento, delgados, e com uma folha bem plana (foto abaixo). Este tipo de ambiente, a cerca de 1200 m de altitude, dos que conheço é onde as populações da espécie são mais numerosas, no entanto, como tenho visto, é onde há uma menor incidência de indivíduos florescendo e menor incidência de plantas com frutos em desenvolvimento. Acredito que o sombreamento, que faz com que as plantas fiquem mais altas, é excessivo ao ponto de inibir o florescimento (ver ponto de compensação luminosa).

Indivíduos de Hoffmannseggella crispata em seu ambiente mais típico, campo rupestre ferruginoso - canga nodular, a 1200 m de altitude.

Quando em campos graminosos nativos, seus pseudobulbos ficam altos e finos também, no entanto, as folhas ficam mais inclinadas para captarem menos energia luminosa (já discutido em "Epidendrum, fotossíntese e saturação luminosa"). Neste ambiente, que geralmente está uma altitude de 1100 a 1400 m na Serra da Moeda, a quantidade observada de  indivíduos  geralmente é pequena.


Nos campos rupestres ferruginosos canga couraçada, bem como nas lajes de quartzito, os pseudobulbos ficam mais baixos e arredondados (eficiência volumétrica de conservação de água, já abordado em "Cattleya walkeriana Gardner (1843) - anatomia, morfologia, fisiologia, ecologia e cultivo") e as folhas mais inclinadas. As plantas, também, tendem a adquirirem coloração avermelhada devido ao maior acúmulo de antocianina, que é um pigmento (antioxidante) protetor da radiação demasiada (que é oxidante!).
Indivíduos de Hoffmannseggella crispata em canga couraçada na Serra da Moeda, 1550 m de altitude.
Indivíduos de Hoffmannseggella crispata em laje de quartzito na Serra de Ouro Branco: folhas inclinadas, pseudobulbos avermelhados e arredondados.
Os campos rupestres ferruginosos de canga couraçada estão associados a maiores altitudes, 1500 a 1600 m, e as Hoff. crispatas não são tão numerosas quanto na canga nodular. No entanto, creio que devido ao alto input energético, advindo da maior insolação, geralmente é onde encontramos uma maior porcentagem de indivíduos floridos, havendo, também,  sempre muitos frutos em desenvolvimento nas plantas.

Falando em frutos, o tempo de maturação dos mesmos (até que naturalmente se abrem) é maior do que um ano, sendo comum vermos indivíduos em flores ainda portarem os frutos advindos de polinizações de flores do ano passado (foto abaixo), investimento de recursos por parte das plantas que corrobora para uma alta porcentagem de germinação das sementes in vitro.


Tipicamente a floração vai de julho a outubro, sendo o pico em agosto/setembro. Tem um período de floração extenso, de maneira que tem aparecido híbridos naturais com outras espécies de Hoffmannseggellas que compartilham seu habitat.

A meu ver, a melhor maneira de se cultivar a Hoffmannseggella crispata é com vasos de plástico contendo brita 0 de construção (pedrisco) como substrato, sob uma tela de sombreamento de 35 %.


Algumas particularidades notórias da Hoffmannseggella crispata é a disposição compacta das suas flores no ápice do racimo floral, como que se projetando e se expondo melhor acima da vegetação adjacente, característica que não perde em cultivo, ou em qualquer dos tipos de ambientes citados.  Outra característica marcante, no entanto não em todos indivíduos da espécie, é a borda das folhas avermelhadas / arroxeadas. Estas duas características também são vistas na Hoffmannseggella milleri (futuro post!). 


 A espécie tem como sinônimos Cattleya crispata, Laelia crispata, Sophronitis crispata, Laelia flava, dentre outros, a razão de eu utilizar Hoffmannseggella crispata será assunto de um futuro post também.

Abaixo fotos de outras flores que compartilham o habitat e a época de floração com a Hoffmannseggela crispata: 


Referências citadas


Bioma Meio Ambiente Ltda. (2016). Sobre a flora das Reservas Particulares do Patrimônio Natural da Vale – Guia de espécies ameaçadas, raras e endêmicas registradas. Nova Lima/MG. CD-ROM. 411p.Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Hoffmannseggella%20crispata. Acesso em 23/08/2016.
Fundação Biodiversitas. 2016. Revisão das Listas das Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção do Estado de Minas Gerais. Disponível em http://www.biodiversitas.org.br/listas-mg/consulta.asp. Acesso em 23/08/2016. 
Neto, L. M., Alves, R. J. V., Barros, F., & Forzza, R. C. (2007). Orchidaceae do Parque Estadual de Ibitipoca, MG, Brasil. Acta bot. bras21(3), 687-696.
Neto, L. M., Matozinhos, C. N., de Abreu, N. L., Valente, A. S. M., Antunes, K., de Souza, F. S., ... & Salimena, F. R. G. (2009). Flora vascular não-arbórea de uma floresta de grota na Serra da Mantiqueira, Zona da Mata de Minas Gerais, Brasil. Biota Neotropica9(4), 149. 
Rezende, L.A.L; Dias, L.E.; Assis, I.R. & Braga, R. (2013). Rehabilitation of ironstones outcrops degraded by iron minning activity in Minas Gerais State – Brazil. In: National Meeting of the American Society of Mining and Reclamation, Laramie, WY Reclamation Across Industries, June 1 – 6, 2013. R.I. Barnhisel (Ed.) Published by ASMR, 3134 Montavesta Rd., Lexington, KY 40502. p.287-294.
Santos, H.G. Dos; Jacomine, P.K.T.; Anjos,  L.H.C. Dos; Oliveira, V.A. De; Lumbreras, J.F.; Coelho, M.R.; Almeida, J.A. De; Cunha, T.J.F.; Oliveira, J.B. (2013). Sistema brasileiro de classificação de solos. 3.ed. rev. e ampl. Brasília: Embrapa. 353p.
Teixeira, W. A., & de Lemos Filho, J. P. (2013). A flórula rupestre do Pico de Itabirito, Minas Gerais, Brasil: lista das plantas vasculares. Boletim de Botânica31(2), 199-230.

domingo, 26 de abril de 2015

Habitat de Hoffmannseggella caulescens (Lindl.) H.G.Jones

Hoffmannseggella caulescens (Lindl.) H.G.Jones é uma espécie mineira, e consta na lista de espécies ameaçadas de extinção, categoria EN (Em perigo de extinção, a médio prazo). (http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Hoffmannseggella%20caulescens).

Das espécies que conheço de Hoffmannseggella esta é a que vive em um dos ambientes mais áridos, que é a canga couraçada sob pleno Sol, ou seja, combinando um ambiente extremamente dessecante com um substrato com capacidade de retenção de água nula, ou quase nula.

Para compensar a pobreza em água e nutrientes minerais do seu ambiente ela tem que os acumular nas folhas e nos pseudobulbos, ambos bastante suculentos, tais como os cactos. Outra semelhança com cactos é o metabolismo ácido das crassuláceas (MAC ou CAM), que permite trocas gasosas da fotossíntese de noite, quando os estômatos se abrem, de maneira que a perda de água é mínima em relação ao que seria no calor do dia. Além disso as folhas são bastante inclinadas, de modo que não se queimem (ou de modo que não ocorra a fotodegradação dos seus tecidos por uma radiação muito inrensa), algo já comentado aqui (http://mvlocatelli.blogspot.com.br/2008/05/epidendrum-fotossntese-e-saturao.html).

a) modelo de decomposição de intensidade luminosa em função do ângulo da folha; b) Hoffmansseggella caulescens, rupícola típica, com folhas acentuadamente inclinadas. (Desenho e foto de Marcus V. Locatelli).



Existem a canga couraçada e canga nodular. A primeira é formada por concreções ferruginosas contínuas recobrindo a superfície do terreno, com poucas, e no geral rasas, frestas onde podem se desenvolver arbustos. Já o segundo tipo caracteriza-se por apresentar uma maior fragmentação, permitindo uma vegetação arbustiva mais adensada.

Essas fotos foram tiradas em 20/4/2015, em área próxima de Belo Horizonte/MG, e aqui apresentamos algumas variedades raras da espécie, tais como caerulea, puntacta, concolor e orlata flamea, além de uma beleza cênica imensurável a partir de jardineiras naturais formadas por touceiras da espécie: