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sábado, 30 de maio de 2020

Nutriorqui – Locatelli: fertilizantes para orquídeas / adubação e florescimento

Nutriorqui – Locatelli: fertilizantes para orquídeas
Marcus V. Locatelli
Engenheiro agrônomo, Mestre e Doutor em Solos e Nutrição de Plantas
Especialista em Proteção de Plantas
Orquidófilo há mais de 20 anos
Contato para adquirir Whatsapp 035999744252


Não só da boa nutrição mineral depende um bom cultivo de orquídeas, mas não existe um bom cultivo de orquídeas sem uma boa nutrição das plantas, fato que reflete até mesmo na qualidade das flores nas mais diferentes características avaliáveis.
Nos últimos 4 anos a formulação do Nutriorqui contou com o apoio para testes e aprimoramento no Orquidário Donato, em Poços de Caldas/MG. Ambiente controlado, elevado padrão genético do plantel, quantidade expressiva de plantas proporcionando significativas observações, além de bastante disciplina por parte do proprietário em operar, enfim, um ambiente perfeito para esta finalidade.
Quem tem acompanhado exposições nos últimos anos tem notado o destaque proeminente do orquidário nas premiações, fato que se deve, como já mencionado, ao elevado padrão genético das suas plantas e também ao bom cultivo, que permite extrair e tornar à mostra todo este potencial. Alguns componentes da qualidade das flores são diretamente relacionados à boa nutrição mineral, e como “boa” entendemos os nutrientes sendo fornecidos nas maneiras, proporções e quantidades adequadas.
Fazendo um paralelo entre genética e nutrição em outros contextos, descobriu-se há alguns anos que o genoma humano conta com cerca de 30 mil pares de genes, e o genoma de uma planta de arroz com mais de 56 mil, por aí já vemos que quantitativamente o número de genes não está relacionado com a complexidade dos seres vivos, inclusive com estas descobertas passou a ganhar destaque a epigenética que, resumindo, estuda a forma como os genes interagem entre si e com o ambiente vivente. É notório que a partir disso na medicina a especialidade de nutrologia vem cada vez mais despertando interesses nos médicos e nos pacientes, a nutrição era quase que renegada pelos médicos.
Os primeiros efeitos propostos pelo Nutriorqui, e também observados rapidamente pelos usuários, foram ganhos expressivos no desenvolvimento vegetativo, consistindo em pseudobulbos e folhas maiores do que anteriores, mais raízes, raízes íntegras em especial pela questão de combate à toxidade causada por águas alcalinas, além disso, também o que não está visível, que é um aumento rápido dos teores de nutrientes nos órgãos das orquídeas, o que servem de mais reservas para melhor aguentarem estresses (replantios) ou outras situações que demandem esses recursos, como o florescimento, deste modo já por isso é esperado uma melhor floração.
Mais detalhes, alguns nutrientes como boro e em maior quantidade o potássio são determinantes para a manutenção hídrica das células vegetais. Inevitavelmente células vegetais mais túrgidas são mais arredondadas, sendo mais arredondadas então os órgãos também o serão. O micro repercutindo na forma do macro, ou seja, cada uma das células das flores nas formas das suas peças florais, como as pétalas. O Nutriorqui é o fertilizante para orquídeas destacadamente mais rico em potássio no mercado.
Aliado a isso, seu teor de cálcio, também o mais alto no mercado, colabora para termos uma boa cimentação entre uma célula e outra na planta inteira, inclusive flores, pois o cálcio compõe o pectato de cálcio da lamela média, que é a substância que une uma célula vegetal à outra.
Então temos duas frentes de melhoria de formas técnicas de flores, que são o arredondamento e a melhor cimentação das células, admitindo flores que expressem ao máximo seu potencial de serem arredondadas, e com maiores substâncias, termo orquidófilo para expressar o turgor das flores. Sempre flores com mais substância tem um maior durabilidade.
Atraímos uma atenção especial ao fato de que o fornecimento excessivo de água para as orquídeas, via regas e/ou chuvas, tende a ter o efeito contrário na sua forma técnica, em relação a este maior acúmulo de água celular proporcionada pela adubação.
Ainda, diversas pesquisas demonstraram que o aumento de fósforo na adubação não é compatível para um melhor florescimento das orquídeas, contrariando esta velha crença popular na orquidofilia. Os resultados de nossas análises no decorrer do aprimoramento do Nutriorqui também corroboraram para esta mudança de conceito. O fósforo não é tão requerido pelas orquídeas, retiramos, assim, uma fração  significativa dele da composição, dando espaço a outros nutrientes outrora negligenciados na orquidofilia.
Em relação à intensidade de cores nas flores, há muito tempo em minhas palestras sobre herança de cores já venho comentando sobre origem e acúmulo dos pigmentos nos vacúolos das células, onde também ficam armazenados minerais com reações ácidas ou alcalinas, e cada um desses nutrientes com maiores ou menores potenciais de intensificarem cada uma das cores nas flores. Também levamos isso em conta na formulação do Nutriorqui.
Essas são amostras de informações científicas básicas (em importância) e dispersas que reunimos e aplicamos no desenvolvimento do Nutriorqui,  entramos numa nova fase de divulgação, que já é amparada pelo retorno que tivemos dos nossos clientes: com Nutriorqui o crescimento é maior, e a floração, em vários quesitos, também é melhor.
EM PROCESSO DE REGISTRO.



sexta-feira, 29 de maio de 2020


Nutriorqui – Locatelli: fertilizantes para orquídeas
Marcus V. Locatelli
Engenheiro agrônomo, Mestre e Doutor em Solos e Nutrição de Plantas
Especialista em Proteção de Plantas
Orquidófilo há mais de 20 anos
Contato para adquirir Whatsapp 035999744252

Um pouco da história de desenvolvimento do Nutriorqui já apresentamos (LINK AQUI) e o rótulo também(LINK AQUI), seguem alguns feedbacks autorizados de clientes:
Incremento a cada brotação, enraizamento sadio, melhora no florescimento




















quinta-feira, 28 de maio de 2020

Nutriorqui – Locatelli: fertilizantes para orquídeas / Rótulo


Nutriorqui – Locatelli: fertilizantes para orquídeas
Marcus V. Locatelli
Engenheiro agrônomo, Mestre e Doutor em Solos e Nutrição de Plantas
Especialista em Proteção de Plantas
Orquidófilo há mais de 20 anos
Contato para adquirir Whatsapp 035999744252

Já apresentamos o Nutriorqui na postagem passada (LINK AQUI), seguem algumas informações de rótulo.
Fertilizante mineral de composição mista e com alto teor de carbono orgânico. Possui macro e micronutrientes compatíveis com as exigências nutricionais das orquídeas, sendo suficiente como único fertilizante durante todo seu ciclo de vida. Produto comercial concentrado, sem adição de água.
Contém exclusivo indicador de pH que, após a diluição em água, faz com que a mistura final se apresente na coloração vermelha-alaranjada quando a acidez é ideal (pH entre 5 e 7). Ficando amarela, então mais alcalina (pH maior do que 7), pode-se optar em utilizá-la assim mesmo, ou buscar orientações para ajustes.
Modo de usar: irrigar as plantas previamente, diluir 3 g (ou aproximadamente meia colher de café) para cada litro de água, aguardar alguns minutos para diluição e estabilização da cor e em seguida pulverizar as plantas. Atenção em atingir todas as superfícies de raízes e de substratos. Também pode ser adicionado na caixa d’água de irrigação automática. Repetir a operação quinzenalmente ou, em situações de regas muito frequentes, de maneira semanal.
EM PROCESSO DE REGISTRO.



quarta-feira, 27 de maio de 2020

Nutriorqui – Locatelli: fertilizantes para orquídeas


   Nutriorqui – Locatelli: fertilizantes para orquídeas
Marcus V. Locatelli
Engenheiro agrônomo, Mestre e Doutor em Solos e Nutrição de Plantas
Especialista em Proteção de Plantas
Orquidófilo há mais de 20 anos
Contato para adquirir Whatsapp 035999744252

Olá pessoal, gostaria de lhes apresentar o Nutriorqui, fertilizante para orquídeas que a gente vem desenvolvendo há muitos anos.
A formulação partiu de estudos científicos sobre a nutrição mineral de orquídeas, o que incluiu muitos dados de análises químicas de suas composições além de outras ponderações técnicas. Foi testado e já é usado há 4 anos no Orquidário Walkeriana Donato, ou seja, em condições reais de cultivo comercial, abrangendo muitas plantas em todas as fases de vida.
Por este contexto, e pelos resultados obtidos, afirmamos que consiste no mais recente avanço em nutrição equilibrada para orquídeas em especial as do grupo das cattleyas, e com seu uso vem sendo alcançado as melhores referências agronômicas em precocidade e vigor que se conhece.
Tais ganhos consistem em diminuição do tempo necessário para seedlings florescerem pela primeira vez, alto incremento de tamanho a cada brotação, elevada taxa de permanência das folhas mais velhas da touceira, maior tolerância das plantas a replantios e outros estresses, além de excelente estado fitossanitário.
Ressalta-se que não só a nutrição é responsável por esses resultados, o mérito é do cultivo como um todo, no entanto, sem uma nutrição adequada esses resultados não são obtidos.
É um adubo de composição mista, possui todos os macronutrientes e micronutrientes necessários, é o mais concentrado do mercado, ou seja, dentre todos os outros fertilizantes é o que possui maior teor de nutrientes totais, então não é necessário complementar com nenhum outro tipo de suplemento nutricional, foi desenvolvido para ser suficiente sozinho.
De maneira EXCLUSIVA para fertilizantes destinados às orquídeas, sua formulação possui substâncias com forte tampão de pH para a faixa do ideal (entre 5 até menor do que 7) além de uma substância indicadora de pH (corante) que após diluição em água muda de cor conforme o pH final desta solução. Combinado a isso, também EXCLUSIVOS componentes orgânicos complexos, os quais auxiliam na absorção e transporte de nutrientes dentro das plantas, uma tecnologia de ponta, que ajuda até mesmo a mitigar, até certo limite, históricos de adubações desequilibradas e desbalanceadas mesmo nas partes mais velhas das orquídeas.
Não contém água adicionada na formulação comercial, deste modo o cliente tem a vantagem de levar um insumo concentrado e não pagar pelo transporte de peso desnecessário.
EM PROCESSO DE REGISTRO.

Algumas  fotos de seus resultados no Orquidário Donato, de Poços de Caldas/MG:

  • Seedlings de Cattleya walkeriana com cerca de 3 meses após saídos dos frascos.




  • Seedlings de Cattleya walkeriana com menos de 2 anos após saídos dos frascos.






  • Seedlings e adultas de Cattleya walkeriana com menos de 3 anos após saídos dos frascos.





  • Pseudobulbo de Cattleya nobilior bem nutrido, boa reserva nutricional, rebrotando de maneira excepcional

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Hadrolaelia pumila (Hook.) Chiron & V.P. Castro - Populações remanescentes no Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais

*Transcrevendo um texto que escrevi para o Boletim AOSP nº 15 (http://www.aosp.com.br/).
O Quadrilátero Ferrífero
Situado a centro-sudeste de Minas Gerais, possui uma área de aproximadamente 7.200 km2 (Figura 1).

Figura 1 - Localização geográfica do Quadrilátero Ferrífero a centro-sudoeste de Minas Gerais. (Adaptado de Geopark – Quadrilátero Ferrífero).
Ao norte é delimitado pela Serra do Curral, ao sul pela Serra de Ouro Branco, a leste pela Serra do Caraça e porção sul da Cordilheira do Espinhaço, e a oeste pela Serra da Moeda, de modo que seu território assemelha-se à figura que lhe dá o nome, que é completado pela sua geologia originalmente rica em ferro. Essas serras prolongam-se formando cristas rochosas que atingem altitudes de até 1600 m.
É uma área de tensão entre os biomas Mata Atlântica e Cerrado, sendo que em solos mais profundos em um relevo mais abaciado, ou grotas, e em altitudes que não ultrapassam os 1300 m, encontram-se os capões florestais, com fitofisionomias[1] e espécies vegetais típicas de Mata Atlântica, como jacarandá-da-bahia, perobeira, quaresmeira (arbórea) e braúna. Já em solos rasos, declivosos, pedregosos, tanto em cotas mais elevadas quanto mais baixas, encontram-se os campos graminosos, limpos ou sujos, nesses últimos ocorrem em maiores quantidades plantas arbustivas e arbóreas tortuosas, típicas de cerrado, como o pequizeiro, barbatimão, quaresmeiras arbustivas (“quaresminhas”) e os ipês (Figura 2).




[1] Tipos de vegetação mais específicos.




Figura 2 - Encosta da Serra da Moeda, paisagem típica do Quadrilátero Ferrífero, comuns neblinas e nítida compartimentalização da vegetação em função do terreno. Platô no primeiro plano a cerca de 1100 m de altitude, topo da serra a cerca de 1600.
O clima da região é do tipo subtropical de altitude, com verão chuvoso e inverno seco. A média da temperatura do ar no verão é de 21 ºC e no inverno 16 ºC, a precipitação pluvial anual soma cerca de 1250 mm, e a umidade relativa é sempre alta (maior do que 76 %, mesmo no inverno) (MESSIAS, 2011), o que combinado com a queda abrupta de temperatura a noite proporciona um intenso orvalhar diário.
A transição entre os dois biomas e a diversidade de ambientes conferem à região uma grande diversidade biológica, e elevada taxa de endemismo[1] entre as espécies de plantas e animais que ali ocorrem.
Economicamente o Quadrilátero Ferrífero responde por crucial importância ao Brasil, pois é líder mundial em extração de minerais metálicos, especialmente o ferro, atividade esta que encabeça o PIB nacional. No entanto, essa extração combinada à ocupação urbana, desmatamento para agropecuária extrativista, e turismo pouco criterioso vem resultando em intensa alteração da paisagem.

A Hadrolaelia pumila (Hook.) Chiron & V.P. Castro
A Hadrolaelia pumila (Hook.) Chiron & V.P. Castro (2002) (ou Laelia pumila, Sophronittis pumila, Cattleya pumila) (Figura 3) é uma orquídea tipicamente epífita, e sua ocorrência já foi reportada para os estados de Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais (BARBERO, 2007).
É uma espécie bastante vitimada pela destruição do seu habitat, e o fato de ocorrer em pequenas populações (poucos indivíduos por área) faz dela especialmente vulnerável pela ação de coleta predatória. Segundo a Lista Vermelha da Flora Ameaçada em Minas Gerais é categorizada como em perigo de extinção em um futuro próximo (classe EN) (BIODIVERSITAS, 2007).
A partir indivíduos em cultivo, BARBERO (2007) descreve morfologicamente a Hadrolaelia pumila da seguinte forma:




[1] Espécies que só existem no local.


Figura 3 - Exemplar típico de Hadrolaelia pumila em cultivo.
“Rizoma 1,0-1,3 cm compr. entre pseudobulbos; pseudobulbos delgados, 5,0-7,5 cm compr., homoblásticos. Folhas estreitamente elípticas ou lanceoladas, 9,5-14,5 cm compr., 2,1-3,7 cm larg., ápice agudo ou obtuso, base atenuada, nervura central proeminente. Inflorescência 1- 2-flora, pedúnculo ca. 3,8 cm compr., brácteas florais triangulares, ca. 0,5 cm compr. Flores brancas, róseas ou lilases, com labelo púrpura; pedicelo + ovário 4,7-5,6 cm compr.; sépalas lanceoladas ou oblongo-lanceoladas, ápice agudo, a dorsal 4,5-6,3 cm compr., 1,1-1,9 cm larg., as laterais 4,5-5,9 cm compr., 1,1-1,8 cm larg.; pétalas com âmbito elíptico, ligeiramente assimétricas, com pequena reentrância no 1/3 superior, 4, 9-6,0 cm compr., 2,0-3,7 cm larg., ápice agudo ou obtuso, mucronulado; labelo 3-lobado, unguiculado, com âmbito obovado, 4,7-5,7 cm compr., 3,6-5,0 cm larg., envolvendo o ginostêmio, unguículo 0,2-0,4 cm compr., adnado à base do ginostêmio, lobos laterais arredondados, margem ondulada; lobo central obovado, 0,9-1,2 cm compr., 1,8-2,8 cm larg., ápice fendido, fenda 0,1-0,4 cm de profundidade; ginostêmio curvo, 2,2-2,5 cm compr.”

Nota sobre a ecologia das populações de Hadrolaelia pumila do Quadrilátero Ferrífero
Acompanhando relatos de orquidófilos da região, bem como tendo acesso às informações de relatórios de muitos estudos ambientais, além de uma série de idas a campo em locais de acesso restrito, a espécie se comprovou muito difícil de ser encontrada.
Ao longo do ano de 2014 foram encontradas duas populações, em duas áreas distintas no município de Itabirito/MG (figuras 4 e 5), cada uma dessas populações possuindo um número bastante reduzido de indivíduos.
Figura 4 - Área 1 de ocorrência da Hadrolaelia pumila.

Figura 5 - Área 2 de ocorrência da Hadrolaelia pumila.
Chama a atenção o fato de que as touceiras encontradas tenderem a serem relativamente velhas, grandes, com muitos pseudobulbos, então touceiras novas e seedlings são mais raras de ocorrerem, o que permite inferir uma baixa taxa de germinação das sementes e de sobrevivência dos protocórmios[1], culminando em baixa capacidade de povoamento.
Quando a planta está bem estabelecida a frequência de pseudobulbos folhados é bem maior do que uma touceira caída no chão, ou aderida a uma árvore em decomposição (Figura 6).
É plausível creditar esta pequena quantidade de folhas, diante do total de pseudobulbos, à intensa translocação, ou reaproveitamento, de água e nutrientes como o nitrogênio, fósforo e potássio, outrora acumulados nas folhas mais velhas até que, por limitações recentes de acesso a esses recursos pela planta, ela os envia para as partes em crescimento, o que promove a exaustão e queda das folhas mais velhas.


[1] Termo derivado do grego que significa “primeiro caule”, é o estágio inicial da vida de uma orquídea recém germinada, e é uma fase bastante crítica, pois necessita de condições bastante específicas.

Figura 6 – Touceira de Hadrolaelia pumila aderida a uma árvore em decomposição, menos da metade dos pseudobulbos com folhas.
As plantas de Hadrolaelia pumila tendem a ocuparem posições medianas das árvores, tecnicamente o que seria do fuste alto[1] até copa interna[2], e a abundarem em árvores nas bordas da mata, ou a beira de riachos, onde a descontinuidade florestal permite uma maior entrada de luz (Figura 7). Também foram encontrados indivíduos em uma árvore em ambiente aberto, sob praticamente pleno Sol (Figura 8).
Quando ocorrem em ambiente mais sombreado as folhas tendem a serem mais compridas, disporem-se horizontalmente e planas, e os pseudobulbos são mais altos e de formato mais cilíndricos (Figura 9), ao passo que, quando em ambiente mais ensolarado, as folhas são mais curtas, inclinadas e acanoadas[3], e os pseudobulbos mais curtos e arredondados.



[1] Parte mais elevada do tronco, antes do começo da copa da árvore.
[2] Região dos galhos que formam a copa da árvore que fica mais próxima do tronco.
[3] Dobram-se ao meio no sentido de seu comprimento, assemelhando uma canoa.


Figura 7 - Local de ocorrência típica da Hadrolaelia pumila.

Figura 8 - Indivíduos em ambiente ensolarado.

Em mata mais fechada o microclima é mais úmido, portanto o ar menos dessecante, aliado ao fato de receberem menos luz a auxina[1] tem uma meia vida[2] maior, e por isso as células alongam-se mais, o que reflete em folhas e pseudobulbos mais alongados. Sob pleno sol a auxina é mais intensamente destruída, resultando em diminuição de sua atividade e, por conseguinte, em células e órgãos mais curtos.
As folhas menores em ambiente ensolarado reduz significativamente a perda de água por evapotranspiração[3], e as folhas mais inclinadas reduzem a captação de energia luminosa, potencialmente mais intensa do que os tecidos das folhas suportariam, também o pseudobulbo arredondado é mais eficiente (relação área superficial/volume interno) em acumular água do que os mais cilíndricos.
Na figura 9 está uma das touceiras monitoradas ao longo do último ano, quando encontrada a mesma possuía um fruto originado na floração de 2014, e seguiu sem novas brotações até janeiro de 2015, fato que chama a atenção é a extrema rapidez em que as gemas entumecem, os pseudobulbos se desenvolvem e as flores se abriram após isso, em fevereiro de 2015.



[1] Hormônio vegetal responsável pelo alongamento celular, é destruído por luz (fotodegradação).
[2] Tempo em que a quantidade inicial de um composto se reduz pela metade, e assim sucessivamente, até restar em quantidade pouco significativa. No caso da auxina sob luz o tempo de degradação é maior do que no escuro.
[3] Termo criado pela combinação de transpiração (água saindo do interior do corpo de um ser vivo para o meio externo) e evaporação (água já na superfície da folha que vai para a atmosfera).


Figura 9 – Touceira em 5/08/2014 (a); touceira em 14/01/2014 (b), e; touceira em 20/02/2015 (c).
Em março de 2015 dois novos frutos já se desenvolviam, e o fruto de 2014 se encontrava em estágios finais de maturação (Figura 10).
Figura 10 - Dois novos frutos no ano de 2015, e o fruto de 2015.
É plausível que as flores mais expostas sejam mais facilmente avistadas por agentes polinizadores, potencialmente abelhas e beija-flores, onde num primeiro momento se espera uma maior incidência de frutos, no entanto, nessas condições é, aparentemente, também mais avistada por insetos que delas se alimentam, de maneira que as touceiras em ambientes mais abertos não só não apresentavam vestígios de frutos formados em outras florações, como também na ocasião as flores estavam intensamente danificadas por insetos, e muitas delas já senescentes (Figura 11).
Figura 11 – Ausência de vestígios de frutos e algumas flores comidas e já senescentes (pendúculos amarelados).
Os capões florestais onde ocorrem as Hadrolaelia pumila correspondem a florestas subperinifolias[1], de maneira que preserva maior umidade no ambiente, mesmo ao longo dos meses mais secos, fato importante para que os incêndios anuais, extremamente severos, não ultrapassem os limites dos campos graminosos, na época acentuadamente secos.
Esses habitats orquídea estão sendo mantidos em sigilo e intactos por hora, mas a gama de adversidades possíveis é grande.

Referências citadas
BARBERO, A.P.P. 2007. Flora da Serra do Cipó (Minas Gerais, Brasil): Orchidaceae - Subtribo Laeliinae. São Paulo. 107p. (Dissertação de Mestrado).
BIODIVERSITAS. 2007. Revisão das Listas Vermelhas da Flora e da Fauna Ameaçadas de Extinção de Minas Gerais – Relatório Final, Volume 2. Belo Horizonte. 69p.
GEOPARK. 2015. Geopark – Quadrilátero Ferrífero, disponível em < http://www.geoparkquadrilatero.org/?pg=principal>, acessado em 28 de março de 2015.
MESSIAS, M.C.T.B. 2011. Fatores Ambientais Condicionantes da Diversidade Florística em Campos Rupestres Quartzíticos e Ferruginosos no Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais. Ouro Preto. 119p. (Tese de Doutorado).



[1] A maioria das espécies de árvores não perdem as folhas no outono/inverno.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Uso e necessidade de substâncias enraizadoras para orquídeas

Colaborei com a reportagem O uso de hormônios no cultivo das orquidáceas na revista Como Cultivar Orquídeas nº 52 que se encontra nas bancas por agora.

Na reportagem há alguns comentários meus, obtidos a partir de algumas questões que eu respondi para a jornalista da matéria Renata Puinatti.

Assim como fiz em uma outra vez quando o tema foi adubação de orquídeas (post Adubação de orquídeas), transcrevo aqui na íntegra as questões que me foram passadas e respondidas.

Este tema já tratei aqui (O uso do AIB em orquídeas) tem alguns anos já, agora aqui um complemento.


1.     Existem fitorreguladores naturais e sintéticos. Explique a diferença entre eles. Eles também agem de maneira diferente?

Fitorregulador é um termo bastante genérico, define-se por toda e qualquer substância capaz de influenciar o crescimento e desenvolvimento vegetal. Existem vários tipos de fitorreguladores que vão de naturais a artificiais, hormônios vegetais (ou fitormônios) se incluem no primeiro grupo. A substância AIB (ácido indol butírico) é uma substância artificialmente desenvolvida para substituir o AIA (ácido indol butírico), que é naturalmente sintetizado e artificialmente tem sua síntese bastante cara, além de ter sua conservação mais complicada, no entanto, o AIA é mais eficiente que o AIB, ou seja, menores doses de AIA acarretam em efeitos compatíveis com maiores doses de AIB.

2.    Como esse hormônio age nas orquídeas?

Existem vários tipos de hormônios, ou fitorreguladores artificiais que os imitam, e cada um com funções específicas, por exemplo: as auxinas (AIA) estão envolvidas no alongamento celular, deixam os pseudobulbos e as raízes compridas; o etileno e o ácido abscísico induzem a senescência, ou seja, amadurecimento e a queda de folhas e frutos, o que passa pelo reaproveitamento ou ciclagem de nutrientes internamente no corpo da planta; a giberilina está envolvida na quebra de dormência das gemas de brotação em resposta à estação do ano; as citocininas estimulam as divisões celulares, ou seja, a formação das gemas.

O que é importante não é tão somente a concentração de cada um dessas substâncias nas plantas, mas o equilíbrio entre elas acarretando em diferentes consequências nas plantas.

3.    Essas substâncias podem ser compradas em orquidários e garden centers?

Sim, especialmente o AIB que serve para estimular o enraizamento e é dos fitorreguladores de uso melhor compreendido. Há diversos nomes comerciais já bem famosos. 

Existem também suplementos minerais ricos no micronutriente zinco, que é vendido para o fim de enraizamento. O zinco faz parte de uma enzima envolvida na produção de AIA pela planta, e seu uso pode ser uma alternativa interessante, pois para a aquisição de fitorreguladores é necessária um receituário agronômico.

4.    Como é feita a aplicação na planta, em que frequência e em qual estágio da vida da planta? Em que circunstâncias costuma ser utilizado? E por que? Qual o resultado alcaçado? Quando é realmente necessário utilizá-lo e quando deve ser descartado seu uso?

Preferencialmente deve-se aplicar algum enraizador uma vez só, no transplantio, para dar uma alavancada inicial na planta. 

No dia a dia, plantas bem adubadas e com substratos arejados não terão problemas de falta de raízes, então não se justifica a aplicação de estimulantes radiculares. 

Já fitorreguladores com outras finalidades, como florescimento, tem seu uso bastante restrito, e há poucas informações referentes às doses nas diferentes espécies.

5.    O hormônio regulador é prejudicial ou benéfico às orquídeas?

Aquela história de que a diferença entre o remédio e o veneno está na dose se aplica aqui também, pois há benefícios como nas condições citadas acima, mas dependendo da dose, por exemplo, alguns enraizadores podem ter ação de herbicidas, comprometendo e até matando as plantas.

6.    Todas as orquídeas podem receber doses desse tipo de hormônio ou existe alguma restrição?

A princípio os fitorreguladores para o enraizamento podem ser utilizadas para  qualquer planta, mas há lacunas científicas quanto ao tipo, modo, época e dose das substâncias a serem mais eficientemente aplicadas.

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A entrevista acabou aqui.

As plantas das fotos a seguir não receberam aplicações de estimulantes de enraizamento, ilustrando que não são necessárias aplicações periódicas de estimulantes para o enraizamento das orquídeas.

Cattleya walkeriana.

Cattleya labiata alba - recém transplantada para o cachepo em que está. No detalhe substratos de toquinhos de madeira proporcionando bastante arejamento e saúde das raízes.

Outros exemplos de plantas com boas raízes - No alto na esquerda Potinara Red Crab e à direita Hadrolaelia jongheana. Embaixo à esquera Cattleya labiata e à direita Epidendrum fulgens.

Cattleya bicolor emitindo novas raízes naturalmente logo após o completo desenvolvimento do mais novo pseudobulbo na touceira.
Agora abaixo alguns exemplos de plantas definhando em péssimas condições de substratos que danificaram as raízes (já muito discutido em outros posts), após a retiradas de plantas nessas condições de seus vasos e completa remoção do substrato velho, é interessante a aplicação de AIB para alavancar o enraizamento inicial das mesmas:



A seguir uma das maneiras de se aplicar solução diluída de AIB, 1 a 2 gotas no rizoma entre o primeiro e terceiro pseudobulbos: