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domingo, 15 de julho de 2018

Brasilidium pectorale: enfim sementes!

Sinônimos: Gomesa pectoralis, Brasilidium marshallianum, Brasilidium pectorale, Oncidium marshallianum, Oncidium pectorale, Anettea marshalliana, Anettea pectoralis, Oncidium larkinianum,Gomesa marshalliana, Oncidium pectorale var. larkinianum.

Fotos raras do Brasilidium petorale floridos no habitat:







É uma espécie auto incompatível, ou seja, para obter sementes viáveis precisamos cruzar flores de duas plantas distintas.

Há 10 anos ganhei um exemplar de presente e desde então vinha, sem sucesso, tentando obter sementes auto polinizando flores da mesma planta. Neste tempo, por falta de outra opção, tentei usar políneas de flores diferentes de um mesmo cacho, políneas guardadas do ano passado, flores ainda fechadas, políneas de flores passadas... Tudo tentando driblar o mecanismo fisiológico que confere a auto incompatibilidade. 

Apareceram pessoas com outras plantas desta espécie, combinei de adquirir as políneas mas a logística nunca deu certo, apareceram, também, plantas à venda, mas em boa parte devido a minha aparente determinação em reproduzir esta espécie, os preços eram sempre inviáveis... 

Em dezembro de 2017 consegui políneas de outras plantas, polinizei e hoje, 7 meses depois colhi as sementes maduras.



Moro em meio a um dos antigos habitats conhecidos desta espécie, onde está extinto, há relatos de ocorrências nos estados de SP, RJ, MG e ES. Para alguns estados está listada como espécie Criticamente Ameaçada de Extinção, ou seja, risco de extinção na natureza em curto espaço de tempo.

É uma espécie próxima dos Brasilidium (Oncidium) crispum, praetextum, gardineri e forbesii, sendo, inclusive, muito confundidos.





sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Pragas e doenças de orquídeas - Questionário

O questionário abaixo diz respeito a uma parte da minha monografia para conclusão do curso de especialização em Proteção de Plantas, na Universidade Federal de Viçosa.

Dentre os objetivos, estão: levantar quais as pragas mais importantes que assolam a orquideocultura brasileira, e o que vem sendo feito no controle das mesmas; propor ajustes horticulturais como medidas de controle de pragas, e; dar o devido retorno de informações à sociedade orquidófila que está contribuindo com este trabalho.

Peço que faça a gentileza de responder, pois é o primeiro levantamento deste tipo de informação na orquidofilia brasileira.

Para auxiliar no questionário segue um guia ilustrado com fotos dos principais sintomas de pragas, doenças, desordens nutricionais, queimaduras de Sol nas folhas, vírus, algas, líquens, líquens e ervas daninhas que atrapalham o desenvolvimento das orquídeas.

A correta interpretação dos sintomas é crucial para o controle eficiente de pragas, que necessariamente se inicia com a identificação do problema, ou seja, sendo pragas, doenças, desordens nutricionais, queimaduras pelo Sol, etc. as medidas de controle são diferenciadas.

sintomas do ataque do inseto tripes

pulgões atacando flores e brotações de orquídeas
sintomas do ataque do percevejo-das-orquídeas (Tentecoris bicolor)

outros insetos que podem atacar diferentes órgãos das orquídeas


algas, líquens e musgos que atrapalham o desenvolvimento das orquídeas

sintomas do ataque do mofo-cinzento nas flores de orquídeas

ervas daninhas infestando vasos de orquídeas

podridões fúngicas em brotos, pseudobulbos, folhas e plantas inteiros em vasos coletivos de orquídeas

sintomas do ataque de caramujos/lesmas nas raízes e flores de orquídeas

sintomas de manchas foliares causadas por diferentes espécies de fungos que atacam as orquídeas

sintomas comprovados de vírus (Phalaenopsis, canto superior à esquerda) e de prováveis infestações de vírus

Sintomas e sinais de ataque de cochonilhas nas folhas e pseudobulbos de orquídeas

Sintomas do ataque de ácaros nas folhas de orquídeas


sintomas de queimadura solar pela incidência direta nas folhas das orquídeas

sintomas visuais de deficiências nutricionais nas orquídeas
PARA ACESSAREM O QUESTIONÁRIO, POR FAVOR CLIQUEM NO LINK:
https://docs.google.com/forms/d/1gh-d_oEKAwWXz99PA-AM4t4AwCETVTG3yqb5fspaHfE/viewform

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Uso e necessidade de substâncias enraizadoras para orquídeas

Colaborei com a reportagem O uso de hormônios no cultivo das orquidáceas na revista Como Cultivar Orquídeas nº 52 que se encontra nas bancas por agora.

Na reportagem há alguns comentários meus, obtidos a partir de algumas questões que eu respondi para a jornalista da matéria Renata Puinatti.

Assim como fiz em uma outra vez quando o tema foi adubação de orquídeas (post Adubação de orquídeas), transcrevo aqui na íntegra as questões que me foram passadas e respondidas.

Este tema já tratei aqui (O uso do AIB em orquídeas) tem alguns anos já, agora aqui um complemento.


1.     Existem fitorreguladores naturais e sintéticos. Explique a diferença entre eles. Eles também agem de maneira diferente?

Fitorregulador é um termo bastante genérico, define-se por toda e qualquer substância capaz de influenciar o crescimento e desenvolvimento vegetal. Existem vários tipos de fitorreguladores que vão de naturais a artificiais, hormônios vegetais (ou fitormônios) se incluem no primeiro grupo. A substância AIB (ácido indol butírico) é uma substância artificialmente desenvolvida para substituir o AIA (ácido indol butírico), que é naturalmente sintetizado e artificialmente tem sua síntese bastante cara, além de ter sua conservação mais complicada, no entanto, o AIA é mais eficiente que o AIB, ou seja, menores doses de AIA acarretam em efeitos compatíveis com maiores doses de AIB.

2.    Como esse hormônio age nas orquídeas?

Existem vários tipos de hormônios, ou fitorreguladores artificiais que os imitam, e cada um com funções específicas, por exemplo: as auxinas (AIA) estão envolvidas no alongamento celular, deixam os pseudobulbos e as raízes compridas; o etileno e o ácido abscísico induzem a senescência, ou seja, amadurecimento e a queda de folhas e frutos, o que passa pelo reaproveitamento ou ciclagem de nutrientes internamente no corpo da planta; a giberilina está envolvida na quebra de dormência das gemas de brotação em resposta à estação do ano; as citocininas estimulam as divisões celulares, ou seja, a formação das gemas.

O que é importante não é tão somente a concentração de cada um dessas substâncias nas plantas, mas o equilíbrio entre elas acarretando em diferentes consequências nas plantas.

3.    Essas substâncias podem ser compradas em orquidários e garden centers?

Sim, especialmente o AIB que serve para estimular o enraizamento e é dos fitorreguladores de uso melhor compreendido. Há diversos nomes comerciais já bem famosos. 

Existem também suplementos minerais ricos no micronutriente zinco, que é vendido para o fim de enraizamento. O zinco faz parte de uma enzima envolvida na produção de AIA pela planta, e seu uso pode ser uma alternativa interessante, pois para a aquisição de fitorreguladores é necessária um receituário agronômico.

4.    Como é feita a aplicação na planta, em que frequência e em qual estágio da vida da planta? Em que circunstâncias costuma ser utilizado? E por que? Qual o resultado alcaçado? Quando é realmente necessário utilizá-lo e quando deve ser descartado seu uso?

Preferencialmente deve-se aplicar algum enraizador uma vez só, no transplantio, para dar uma alavancada inicial na planta. 

No dia a dia, plantas bem adubadas e com substratos arejados não terão problemas de falta de raízes, então não se justifica a aplicação de estimulantes radiculares. 

Já fitorreguladores com outras finalidades, como florescimento, tem seu uso bastante restrito, e há poucas informações referentes às doses nas diferentes espécies.

5.    O hormônio regulador é prejudicial ou benéfico às orquídeas?

Aquela história de que a diferença entre o remédio e o veneno está na dose se aplica aqui também, pois há benefícios como nas condições citadas acima, mas dependendo da dose, por exemplo, alguns enraizadores podem ter ação de herbicidas, comprometendo e até matando as plantas.

6.    Todas as orquídeas podem receber doses desse tipo de hormônio ou existe alguma restrição?

A princípio os fitorreguladores para o enraizamento podem ser utilizadas para  qualquer planta, mas há lacunas científicas quanto ao tipo, modo, época e dose das substâncias a serem mais eficientemente aplicadas.

______

A entrevista acabou aqui.

As plantas das fotos a seguir não receberam aplicações de estimulantes de enraizamento, ilustrando que não são necessárias aplicações periódicas de estimulantes para o enraizamento das orquídeas.

Cattleya walkeriana.

Cattleya labiata alba - recém transplantada para o cachepo em que está. No detalhe substratos de toquinhos de madeira proporcionando bastante arejamento e saúde das raízes.

Outros exemplos de plantas com boas raízes - No alto na esquerda Potinara Red Crab e à direita Hadrolaelia jongheana. Embaixo à esquera Cattleya labiata e à direita Epidendrum fulgens.

Cattleya bicolor emitindo novas raízes naturalmente logo após o completo desenvolvimento do mais novo pseudobulbo na touceira.
Agora abaixo alguns exemplos de plantas definhando em péssimas condições de substratos que danificaram as raízes (já muito discutido em outros posts), após a retiradas de plantas nessas condições de seus vasos e completa remoção do substrato velho, é interessante a aplicação de AIB para alavancar o enraizamento inicial das mesmas:



A seguir uma das maneiras de se aplicar solução diluída de AIB, 1 a 2 gotas no rizoma entre o primeiro e terceiro pseudobulbos:



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Fotos de resultados de técnicas caseiras de semeio in vitro de orquídeas

Como curiosidade e divulgação de tema de cursos seguem algumas fotos de algumas brincadeiras em casa.


Semeio in vitro de orquídeas na pia da cozinha de casa, e em potes de plástico.


Fotos da "gambiarra" envolvendo lâmpadas, estante, fiação e temporizador que improvisei no meu apartamento.


A cruzamento 306 é self da Hoffmannseggella (ou Laelia ou Cattleya...) florida em uma das fotos, uma rupícola que encontrei há uns 8 anos só em uma montanha em MG e até hoje não consegui a identificação correta.

Ambos os potes da estante foram semeados em 16/6/2011, nota-se nos planos de fundo diferenças no vigor e na porcentagem de germinação das sementes, afinal, foram cerca de 20 cruzamentos semeados neste dia.

As variações "C" e "D" se refere à duas diferentes formulações do meio de cultura. 


Como tenho feito muitos semeios de uma vez, para agilizar coloco muitas sementes por pote e faço poucos potes de cada, depois faço uma transferência em um pote novo diminuindo a quantidade de protocórmios (as bolinhas verdes que são as plantas novas) em cada para crescerem bem sem mais uma transferência.












quinta-feira, 7 de outubro de 2010

VII Exposição de Orquídeas de Viçosa/MG - dias 22, 23 e 24 de outubro de 2010

Convidamos a todos para nossa sétima exposição de orquídeas.
Haverá cursos sobre cultivo e semeio in vitro de orquídeas a partir de técnicas caseiras, bem como orquídeas floridas sendo expostas e comércio de mudas e acessórios.
Grande abraço.


Cartaz:


Folder:

sábado, 1 de maio de 2010

Ciclagem biogeoquímica de elementos e o cultivo de orquídeas


Depois de muito tempo sem blogar a gente se sente meio travado para escrever, vontade de escrever aqui não faltou, mas, como dizem, “coisas aconteceram...”. Uma delas é que estive acampado em uma ilha na Antártica por um tempo, um dos ambientes de estudo do meu doutorado, experiência que pretendo relatar em breve no Edafopedos.

Os principais temas chave da minha tese de doutorado será fosfatização, relação solo – vegetação e ciclagem biogeoquímica de elementos, e esse post é sobre um desses temas, a ciclagem biogeoquímica de elementos, idéia que me ocorreu recentemente ao ver algumas orquídeas durante uma viagem técnica da disciplina de Fitogeografia do Brasil, então visitando alguns campos rupestres da Serra de Ouro Branco, em Ouro Branco, MG.




























O francês Lavoisier, o pai da química moderna, nas idas do século XVIII já dizia: "Na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma", e de certa forma isto é a ciclagem biogeoquímica dos elementos, que é a integração de dois ciclos, o geoquímico e o bioquímico.




O ciclo geoquímico refere-se às passagens dos elementos químicos pelos compartimentos geológicos do planeta, por exemplo, um elemento químico que já pertenceu a uma molécula de um mineral de uma rocha vulcânica passou a compor uma molécula de um mineral de solo, solo erodido e transportado até o mar e lá esses sedimentos acumularam-se, esse material cimentou, ficou coeso e virou rocha de novo (agora uma rocha sedimentar), e o mar secou e com o tempo a rocha sedimentar virou solo novamente (mais sobre isso no post Serra do Cipó I).


E o ciclo bioquímico é a transferência dos elementos ao longo do corpo de um único ser vivo ou entre vários seres vivos, por exemplo, a planta depois de ter absorvido um elemento o coloca em uma folha que está crescendo, está folha então fica velha, e se o elemento for um elemento móvel na planta ele é reencaminhado para uma outra folha que esteja crescendo, ou esta folha é comida por um animal, que por sua vez é predado por outro...


Agora juntando os dois ciclos para entender o ciclo biogeoquímico temos a rocha intemperizando e virando solo, a planta absorve o elemento do solo, o elemento fica por um bom tempo no corpo da planta, “pulando de folha em folha”, mas uma hora volta o solo, de onde a mesma ou uma outra planta poderá absorvê-lo novamente, ou ainda, uma vez no solo este poderá compor a rede de algum mineral que se forma no solo, e depois esse mineral se desmancha e a planta pega seus integrantes, ou o solo vira rocha de novo...

Em geral a vegetação é tão mais dependente da ciclagem biogeoquímmica dos elementos nutrientes quanto maior é a pobreza desses recursos no ambiente e, dentre as coisas que caracterizam esses campos rupestres sobre a rocha quartzito destacam-se sua pobreza química refletindo em pobreza de nutrientes e ocorrência de espécies vegetais extremamente eficientes em adquirir, utilizar e ciclar os limitados nutrientes disponíveis, e dentre as plantas mais eficientes neste contexto estão as orquídeas.

Na foto abaixo temos uma touceira de Pleurothallis teres em uma fenda de quartzito da Serra de Ouro Branco. Reparem que no centro da touceira há vestígios de folhas e de pseudobulbos mais velhos que passaram boa parte dos nutrientes que tinham para a parte mais jovem, que estava crescendo e precisando deles. Provavelmente as folhas mais velhas demorariam mais para senescerem se houvesse um suprimento melhor de nutrientes no ambiente para a planta se dar ao luxo de não precisar reciclar internamente seus preciosos constituintes.


Agora nas fotos abaixo temos duas touceiras de Laelias rupestres, provavelmente Laelia flava (eu sei... Essas laelias viraram Hoffmannseggella e agora são consideradas Cattleyas). A touceira da esquerda está, digamos, em uma fenda mais aconchegante, que acumula mais recursos (água, sedimentos, matéria orgânica a ser decomposta liberando nutrientes, etc.) e está bem mais vistosa que a touceira da direita, com mais folhas, folhas novas e outras mais antigas, já a touceira da direita está pior, menos pseudobulbos com folhas, e o pseudobulbo mais novo subdesenvolvido, indicando que a quantidade de recursos disponíveis para ele ter desenvolvido foi menor do que sua demanda.






























Ainda, reparem na touceira da direita, seus primeiros pseudobulbos provavelmente perderam suas folhas por causa do fogo (vide sinais de queimadura nestes), mesmo após ter sido queimada o tamanho dos pseudobulbos foi aumentando paulatinamente, em muitos deles ainda restam sinais de inflorescência (evidência de não ter sofrido com o fogo depois), mas estão sem folhas, indicando que a touceira provavelmente teve que forçar a retranslocação de muitos nutrientes para a parte da frente (a nova) se desenvolver, o que diminui o tempo de vida das folhas mais velhas, reparem a folha mais velha bem amarelada. Está amarelada porque suas moléculas de clorofilas nos parênquimas clorofilanos foram degradados para que os átomos de nitrogênio e magnésio que as formavam fossem enviados para os dois pseudobulbos mais novos.

Agora especulando um pouco mais, boa parte da vegetação nessa região pegou fogo e virou cinza, a degradação das cinzas liberou nutrientes como cálcio, potássio e fósforo que foram amplamente utilizados no período em que esta touceira se desenvolveu mais (os pseudobulbos do meio são os maiores), porém este fornecimento relativamente abundante cessou-se e houve uma demanda muito grande de retranslocação de nutrientes para as partes em crescimento, o que não tem sido suficiente nos últimos anos pois os pseudobulbos novos estão menores, e nesse estágio ainda a ciclagem biogeoquímica não está tão bem estabelecida, pois muito da matéria orgânica das finas camadas de sedimentos foram queimadas e não houve tempo de ter sido formado um novo banco de matéria orgânica capaz de liberar nutrientes adequadamente - exemplo de perturbação antrópica abalando a auto-sustentabilidade dos ecossistemas!


Então, finalmente, onde eu queria chegar é que orquídeas bem manejadas, ou seja, dente outros cuidados os que proporcionam condições delas manterem raízes vivas para absorver os nutrientes necessários (ver algo em Rega de orquídeas I e II) e o fornecimento de nutrientes de maneira balanceada (quantidade) e equilibrada (proporção) (algo também aqui) tendem a manterem suas folhas mais velhas por mais tempo, e consequentemente uma touceira mais vistosa, o que é interessante visto que se trata de plantas ornamentais.


Abaixo uma Laelia purpurata com raízes mortas devido ao recipiente e substrato acumular muita água matando as raízes e impossibilitando a planta de absorver nutrientes de maneira adequada, com a demanda da brotação nova a parte velha senesce abruptamente como se investisse tudo que pode no broto verdinho, o que não é suficiente para resultar em um broto de tamanho saudável, pois alguns nutrientes como o cálcio não são passíveis de retranslocação na planta.



Para terminar algumas outras fotos desta excursão: