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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Curso de Orquídeas na Semana do Fazendeiro na Universidade Federal de Viçosa



A professora Ângela Stringheta e eu somos os responsáveis pelos cursos sobre orquídeas na Semana do Fazendeiro da Universidade Federal de Viçosa, o maior evento de extensão agrícola do país, que acontecerá entre os dias 9 e 15 de julho de 2011 no Campus da UFV.

Serão dois cursos, ambos bastante tradicionais e consolidados no evento:

CULTIVO DE ORQUÍDEAS
Curso número: 86
Conteúdo: O que é uma orquídea. Influência das características das orquídeas no seu cultivo. Substratos, plantio, replantio e tratos gerais no cultivo de orquídeas como adubação de orquídeas, manejo integrado de pragas e doenças de orquídeas. Instalações para o cultivo de orquídeas.
Terça-feira, 12/7/2011, das 8 às 12 horas.
50 vagas.

CULTIVO AVANÇADO DE ORQUÍDEAS
Curso número: 85
Conteúdo:  Semaeadura  in  vitro  de  orquídeas  utilizando  um  método  caseiro. Aclimatação de mudas. Genética dos cruzamentos de orquídeas. Ecologia das orquídeas. Paisagismo utilizando orquídeas.
Quarta-feira, 13/7/2011, das 14 às 18 horas.
50 vagas.

Darei consultas na clínica tecnológica sobre orquídeas também, um espaço de atendimento mais privado, com um número menor de pessoas.

Todas as informações estão no site http://www.semanadofazendeiro.ufv.br/. Algumas delas adianto abaixo:

QUEM PODE PARTICIPAR

Poderão se inscrever na 82ª Semana do Fazendeiro produtores rurais acima de 18 anos, seus familiares (até 2º grau de parentesco), trabalhadores do setor agropecuário, estudantes de escolas agrotécnicas com mais de 16 anos ou a completar até julho de 2011, participantes de movimentos sociais vinculados ao meio rural, participantes de ONGs, agentes municipais, estaduais e federais vinculados ao meio rural e menores aprendizes com mais de 16 anos ou a completar até julho de 2011. O vínculo rural deve ser comprovado por meio da apresentação de uma cópia do documento comprobatório.

Os participantes das edições anteriores que comprovaram o vínculo rural não precisarão apresentar novamente este comprovante.

A inscrição de pessoas não vinculadas ao meio rural será condicionada à existência de vagas e será feita apenas no domingo, dia 10 de julho, após às 16h, na Secreta-ria do evento.

VALOR DA INSCRIÇÃO*: R$75,00
*Não haverá devolução da taxa de inscrição

Os participantes da Semana do Fazendeiro de 2011 poderão se inscrever em até 10 atividades, nas modalidades cursos e Dias de Campo, ministradas em salas de aulas, laboratórios da UFV, e em áreas experimentais e de produção, como horta, estábulos, piscicultura, etc. Serão realizadas, também, conferências com a participação do público em debates e discussões, envolvendo temas de interesse prático para produtores rurais.

Além dessas atividades de formação, o evento realizará Clínicas Tecnológicas coordenadas pela UFV - TEC/Divisão de Extensão e pelo Sebrae - MG. A Clínica Tecnológica oferece consultorias coletivas, com o objetivo de fornecer novas tecnologias para atender as necessidades dos participantes da Semana do Fazendeiro, visando à incorporação de progresso técnico e ao aumento da competitividade dos pequenos negócios.

Outra atividade relevante da Semana do Fazendeiro é a Troca de Saberes. Essa atividade consiste na organização dos participantes do evento em grupos temáticos, proporcionando-lhes a oportunidade de apresentar, socializar e discutir suas experiências cotidianas, conhecimentos tradicionais e práticas de sucesso na pequena produção. A troca de saberes faz o casamento entre o conhecimento técnico e o saber popular.

DOCUMENTOS EXIGIDOS

Os participantes das edições anteriores devem apresentar apenas cópia da identidade.

Os novos participantes devem apresentar cópia do documento que comprove vínculo rural e cópia da identidade.

Estudantes de escolas agrotécnicas devem apresentar comprovante de matrícula e cópia da identidade.

Os documentos deverão ser apresentados durante o credenciamento na Secretaria da Semana do Fazendeiro.

FORMAS DE INSCRIÇÃO

1) INSCRIÇÕES PELOS CORREIOS
O interessado deve fazer um depósito bancário no valor de R$75,00 (setenta e cinco reais) em nome da FUNARBE/Semana do Fazendeiro e postar a ficha de inscrição corretamente preenchida, a cópia do comprovante de vínculo rural e o recibo de depósito bancário para a Secretaria Permanente da Semana do Fazendeiro.
DADOS BANCÁRIOSSECRETARIA PERMANENTE DA SEMANA DO FAZENDEIRO
Banco do Brasil
Agência 0428-6
Conta Corrente nº 12.186-X
ENDEREÇO
SECRETARIA PERMANENTE DA SEMANA DO FAZENDEIRO
Divisão de Extensão, sala 110
Cmpus Universitário
36570-000 - Viçosa - MG
2) INSCRIÇÕES PELA INTERNET
O interessado deve fazer seu cadastro no site www.semanadofazendeiro.ufv.br. O boleto bancário será gerado e deve ser impresso e pago no banco. O interessado, então, terá até o dia 1º de julho para postar a documentação comprobatória do vínculo rural para a Secretaria Permanente da Semana do Fazendeiro.
ENDEREÇO
SECRETARIA PERMANENTE DA SEMANA DO FAZENDEIRO
Divisão de Extensão, sala 110
Cmpus Universitário
36570-000 - Viçosa - MG
3) INSCRIÇÕES DURANTE O EVENTO
O interessado deverá se dirigir à Secretaria da Semana do Fazendeiro e, se possuir vínculo rural, apresentar a documentação comprobatória deste vínculo.


PERIODO DE INSCRIÇÃO

PESSOAS COM
VÍNCULO RURAL E
COM COMPROVAÇÃO
PELOS CORREIOS
23 DE MAIO
A 15 DE JUNHO
PELA INTERNET
A PARTIR DE
20 DE JUNHO
NA SECRETARIA DA
SEMANA DO FAZENDEIRO
10 DE JULHO,
DE 8H ÀS 18H

PESSOAS SEM
VÍNCULO RURAL
NA SECRETARIA DA
SEMANA DO FAZENDEIRO
10 DE JULHO,
APÓS ÀS 16H



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Orquídeas, paisagismo, agronomia e um pouco de ecologia.

Dia desses fui gentilmente convidado a ajudar em uma apresentação sobre a utilização de orquídeas em projetos de paisagismo, então tratei de estudar um pouco mais sobre.


Caíram algumas fichas e fiquei desapontado com o que se tem não se tem feito no Brasil em mais este tema.


É comum vermos touceiras de Arundina graminifolia nos canteiros dos jardins por aí, o que é interessante, sem dúvida, mas quando comparamos com o que se tem em países da Ásia, por exemplo, é impossível não sentir que estamos muito atrás deles.


Um exemplo da asiática porém bastante difundida no Brasil Arundina graminifolia plantada em um canteiro no Campus da Universidade Federal de Viçosa:


Arundina graminifolia - No Campus da Universidade Federal de Viçosa
Devem haver jardins realmente bonitos e com muitas orquídeas aqui no Brasil sim, mas não há como negar que esses são poucos e, além disso, pouquíssimo explorados. Paisagistas que entendam de biologia de orquídeas e que saibam utilizá-las são raríssimos também.


Agora alguns exemplos do que se pode ver em Cingapura:


-Mandai Orchid Garden -  http://www.mandai.com.sg):


Vista do Mandai Orchid Garden, no fundo touceiras de Vanda - Foto de http://www.mandai.com.sg

Vista do restaurante do Mandai Orchid Garden - Foto de http://alittledream02.livejournal.com/184793.html


Vista do do Mandai Orchid Garden - foto de http://www.mandai.com.sg 

-National Orchid Garden e Singapore Botanical Garden - http://www.nparks.gov.sg/cms/index.php?option=com_visitorsguide&task=parks&id=24&Itemid=73 e  http://www.sbg.org.sg/:


National Orchid Garden - Foto de http://en.wikipedia.org/wiki/File:Singapore_National_Orchid_Garden.jpg 
National Orchid Garden - Foto de http://vincenttraveljournal.blogspot.com/search?q=orchid


National Orchid Garden Singapore - Foto de http://vincenttraveljournal.blogspot.com/search?q=orchid


National Orchid Garden Singapore - Foto de

National Orchid Garden – Foto de http://www.suzybalesgarden.com/blog/?p=62 


National Orchid Garden – Foto de http://www.suzybalesgarden.com/blog/?p=62


National Orchid Garden – Foto de http://www.suzybalesgarden.com/blog/?p=62 
E na Malásia:


Kuala Lumpur Orchid Garden - Foto de http://www.picable.com/slicedshow/tags/beutiful/16
DBKU Orchid Garden – Foto de http://mysarawak2.blogspot.com 


DBKU Orchid Garden  – Foto de http://mysarawak2.blogspot.com 


DBKU Orchid Garden – Foto de http://colinjong.com 


DBKU Orchid Garden – Foto de http://colinjong.com 


DBKU Orchid Garden – Foto de http://colinjong.com

Nota-se a abundante utilização de vandaceas, e essas plantadas diretamente no chão.


Uma coisa interessante a respeito da ecologia das vandas é que essas são consideradas hemiepífitas, ou seja, comumente não são epífitas durante todo o seu ciclo de vida, pois geralmente germinam na camada de resíduos orgânicos acima do solo, e na medida em que vão crescendo vão se apoiando e "escalando" em outras plantas. Vejam exemplos disto aqui: http://rejang-lebong.blogspot.com/2008/04/archive-for-nature-vanda-hookeriana.html.


Para epífitas de um modo geral, orquídeas e também bromélias, pteridófitas, briófitas, Araceas, líquens, etc., há um padrão de distribuição de cada espécie ao longo das "árvores hospedeiras" (tecnicamente essas árvores são denominadas de forófitas), a razão disso é que há um gradiente de umidade e luminosidade (as duas variáveis ambientais mais importantes para a distribuição de espécies de plantas) ao longo da altura da forófita.


No geral, microclimas mais úmidos e sombreados quanto mais se aproxima do chão, na base das árvores, e microclimas mais ensolarados e áridos na extremidade das copas das forófitas, havendo então um equilíbrio entre umidade e luminosidade preferencial para cada espécie de planta, equilíbrio este suportado por características fisiológicas (tipo de fotossíntes, eficiência de uso de água...), anatômicas (espessura de algumas camadas de vários tipos de células...) e morfológicas (tamanho e inclinação das folhas...) de cada planta.


As vandas e outras monopodiais como Campylocentrum, Renanthera, Angraecum e Phalaenopsis possuem caule do tipo aéreo, diferentemente das simpodiais como as Cattleyas, cujos caules são os pseudobulbos que no geral apresentam-se morfologicamente tendendo à fusiformes ("garrafinhas") . 


Pseudobulbos são órgãos constituídos principalmente pelo parênquima aquífero que é um tecido especializado no armazenamento de água e de outros nutrientes, e embora caules de uma maneira geral sejam estruturas de reserva (não só de sustentação), os caules aéreos das orquídeas monopodiais são constituídos especialmente por esclerênquima (tecido fibroso de elevada rigidez e com baixo teor de água), e por isso os caules aéreos são bem menos eficientes que os pseudobulbos para reservarem recursos (água, nutrientes minerais e carboidratos produzidos pela fotossíntese).


Então temos a ocorrência de orquídeas monopodiais preferencialmente em microclimas relativamente mais úmidos, florestas nebulares e matas ciliares, por exemplo. 


Plantas grandes como as vandas demandam grandes quantidades de recursos para crescerem (água, nutrientes minerais e luz), e devido aos seus caules de pouca capacidade de armazenamento desses recursos as vandas precisam estarem próximas das fontes deles, e o solo é como uma "caixa d'água" permanente e em lugares abertos há maiores insolações.


As vandas são de origem asiática mas essas das fotos acima nos jardins de orquídeas na Ásia são mais comumente híbridas, ou seja, necessariamente foram plantas micropropagadas e cultivadas em casas-de-vegetação até irem para os jardins, e outra coisa que me chama muito a atenção é a boa qualidade das instalações e das plantas cultivadas nos orquidários orientais.

Sei que preciso andar mais, mas o que tenho visto por aí até então na maioria são produtores comerciais de orquídeas bastante amadores no sentido de possuírem pouquíssimo embasamento técnico, o que para ser contornado a idade cronológica do indivíduo não conta muito.

Exemplos:
Bancada em orquidário comercial - flores bonitas mas a coloração das folhas indicam deficiência nutricional, provavelmente devido à morte das raízes em uma combinação inadequada de manejo, substrato e tipo de vaso.
Bancada em orquidário comercial  -  a coloração das folhas indicam deficiência nutricional,   provavelmente devido à morte das raízes em uma combinação inadequada de manejo, substrato e tipo de vaso.
Cattleya walkeriana semi-alba sendo comercializada por um profissional do ramo de orquídeas em uma feira, planta relativamente cara sendo mal cuidada, folhas amarelas indicando morte de raízes por manejo inadequado para a combinação de substrato e vaso em que está, nesta florada a planta e as flores não estão tão ruins, mas e na próxima?

Cattleya violaceae sendo comercializada por um profissional do ramo de orquídeas em uma feira, planta subdesenvolvida, pseudobulbo mais novo menor que o anterior (X), indicando que a nutrição está inadequada. Raízes novas morrendo (X) pelo manejo inadequado para a combinação de substrato e vaso em que está.

Seedlings em bandeja em orquidário comercial , manejo inadequado para o substrato e recipiente utilizado resultando em sérias deficiências nutricionais por morte das raízes.
Acima mostrei algumas fotos tiradas por mim em orquidários de profissionais do RJ, MG e ES, evidentemente não convém identificar o local, no entanto, visitando muitos sites de orquidários comerciais do Brasil vemos fotos de orquídeas cultivadas em suas instalações com muitos problemas semelhantes, e onde eu queria chegar com isso é que, aparentemente, nem mesmo os produtores costumam notar que suas plantas estão com vários problemas pois ainda assim publicam as fotos como propaganda de seus orquidários...

Frequentemente temos produtores profissionais de orquídeas cometendo os erros que são muito comuns entre os orquidófilos. Quem cultiva orquídeas em casa não tem a obrigação de ser extremamente eficiente no seu cultivo, tem orquídeas como hobby e direcionam suas atenções para coisas mais sérias em suas vidas, no entanto, com os profissionais já deveria ser diferente.

Não vou fazer propaganda aqui, mas creio que se os leitores a partir do que viram neste post buscarem na web orquidários do Brasil e da Ásia e analisarem criticamente suas imagens de cultivo notarão uma enorme diferença também, nem que seja para maquiarem seus produtos ao menos.

A idéia que eu espero ter transmitido aqui é que não é por coincidência que os asiáticos, sendo os que mais produzem ciência de orquídeas, pois são autores da maioria dos artigos científicos que temos hoje em dia, produzem orquídeas com bastante eficiência, e as usam de maneira exemplar em paisagismo inclusive.

Notem que as fotos dos jardins com orquídeas usadas por mim neste post foram em boa parte extraídas não de sites oficiais, e sim de blogs e de outros sites de viagem, pois foram feitas na maioria por turistas que, ao contrário de nós, não estão o tempo todo prestando atenção em orquídeas, mas diante de tais cenários parece ser impossível não ter a atenção despertada.

O Brasil tem a agricultura tropical mais eficiente do planeta porque produziu e vem produzindo muita ciência agronômica no decorrer dos anos, no entanto, me parece que é diferente com orquídeas, e há até uma certa arrogância dos produtores comerciais em buscar consultorias de técnicos especializados, deve ser porque plantando nesta terra mesmo que de qualquer jeito acaba dando alguma coisa...

Raíz morta em substrato ácido, o que induz a deficiências nutricionais na planta toda.