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terça-feira, 27 de julho de 2010

Habitat de orquídeas

Hoje resolvi não escrever muito, seguem algumas fotos de um habitat de Laelia lundii, Cattleya loddigesii, Capanemia micromera, Pleurothallis sp., Campylocentrum grisebachii dentre outras.

Laelia lundii
Laelia lundii
Cattleya loddigesii
Cattleya loddigesii  e Laelia lundii
Cattleya loddigesii
Laelia lundii
Campylocentrum grisebachii e Capanemia micromera
Pleurothallis sp.
Laelia lundii
Laelia lundii
Laelia lundii
Laelia lundii
Pleurothallis sp.
Laelia lundii
Laelia lundii
Laelia lundii
Campylocentrum grisebachii 
Cattleya loddigesii
Cattleya loddigesii
Laelia lundii

Cobra coral

terça-feira, 10 de março de 2009

Diferentes florações, diferentes flores.


"Oh amor poderoso, que faz de uma besta um homem, e de um homem uma besta" - conscientemente ou não, ou seja, por instinto (memória genética!!!) ou por aprendizado, temos a idéia que tudo na verdade é uma mera questão de "depende", na minha opinião no teatro de Shakespeare podemos identificar alguns bons exemplos de que equilíbrio de uma determinada coisa em relação às demais, e não necessária e unicamente a existência dela em um corpo ou em um contexto, é fundamental para acontecer uma dada resposta, várias ações e uma reação. Voltando ao post anterior, que traz a idéia de que as obras de arte se consagram justamente por serem elas harmoniosas e familiares aos sentidos. 

Consultando qualquer dicionário sobre o termo "equilíbrio" podemos ver que "proporção" sempre aparece, e o que consigo ver nessas palavras de Shakespeare citadas é, a interação entre os hormônios testosterona (força bruta, agressividade...), ocitocina e vasoprecina, salvo engano os dois últimos envolvidos com a sensação de prazer, sociabilidade, comportamento gentil... Deixo claro que reconheço que meu conhecimento sobre fisiologia animal é bastante vago, então, posso vir a passar vergonha diante de um médico fisiologista que eventualmente possa vir a ler este.

Na foto abaixo à esquerda, flores de uma Cattleya bicolor brasiliensis na floração de 2007, e na direita, a mesma, florida em 2009:













Chegou meio sofridinha, sem raízes, e em 2007 na primeira floração comigo saiu assim, mas notem a falta de simetria entre as anomalias nas flores anômalas... Espera-se que neste caso, anomalias de ordem genética sejam simétricas, ou seja, que as mesmas anomalias se repitam em ambas as pétalas e flores. Na foto abaixo vemos o "boom" de desenvolvimento que a planta teve, pseudobulbos mais velhos com menos de 30 cm de comprimento, e os dois mais novos com mais de 60 cm.


Agora, abaixo à esquerda, flor de uma Cattleya bicolor brasiliense, floração de 2008, com a flor expressando todo seu potencial genético em termos de armação de pétalas, apesar da planta também estar recém plantada, com poucas raízes, etc. E na foto à direita, a floração deste ano, 2009, com uma ligeira anomalia em uma das pétalas (também nenhuma simetria de anomalia):












As possíveis causas que desencadearam essas deformações nas flores são inúmeras, provável que no primeiro caso tenha havido uma interação entre estresses ambientais, dentre eles os relacionados a clima e fatores nutricionais, pois a planta também estava sem raízes e, portanto, sem conseguir absorver de maneira adequada água e nutrientes minerais, aí nos anos que se seguiram, com a planta já estabelecida, aclimatizada e enraizada as coisas mudaram. Mas no segundo caso imagino que o estresse tenha sido um só, um inseto, provavelmente um psilídio, que deu a "picada de prova" no botão da flor, o que causou desordens não só de ordem física mecânica, pois as células do botão da flor eram menores, e qualquer trauma por menor que seja, causa uma cicatriz que se amplia com o aumento do volume do tecido floral, e sabidamente insetos injetam toxinas com suas picadas, toxinas estas que causam desordens fisiológicas alterando a morfologia e até mesmo a cor dos órgãos afetados, justamente o que aconteceu, notem que parece que o sintoma de deformação e de coloração atípica tem um centro de origem, este possivelmente o local da picada.

Diante desses casos, comum aparecer alguém para dizer: "sua orquídea está com vírus", "joga ela fora"... Bom, o buraco é mais embaixo, lembre-se do equilíbrio entre as variáveis cuja maioria nem sequer conhecemos, e possivelmente compense esperar para ver se há repetição ao longo dos anos (princípio científico da VERIFICAÇÃO!), mesmo sendo, ou achando ser, exigente à qualidade.

 Embora seja sabido também que mesmos as picadas de prova dos insetos (a denominação técnica é realmente esta) que causam muitas injúrias e, inclusive podem transmitir vírus às plantas. Mas nesse caso aguardarei para ver ano que vem, afinal, não vejo nada demais de um aspirante à cientista ter um pouco de fé de vez em quando.

A principal mensagem que teria para passar neste post é que se adquiriu uma planta e logo na primeira floração ela não atendeu suas expectativas, paciência, ano que vem as coisas podem ser diferentes. 

 "O que seria mais importante, milhares de cavalos sem chifre, ou um cavalo com chifre dentre milhares sem???", não sei onde ouvi essa, mas achei legal a idéia que ela trás, digo porque determinados estímulos, combinados com o potencial genético dos indivíduos para responder a eles, ou ainda uma anomalia genética, intrínseca ao indivíduo, puxa vida que interessante, se quem estiver lendo este texto tiver uma planta dessas esquisitas e que eventualmente queira se desfazer dela, eu já adianto que eu aceito, especialmente se a anomalia for genética.

domingo, 4 de maio de 2008

Dimorfismo floral e disparo de políneas nas flores da Catasetum fimbriatum

O gênero Catasetum (do grego: cerda/antena para baixo) caracteriza-se pelo dimorfismo sexual que suas flores apresentam em função do ambiente no qual a planta desenvolveu-se até a respectiva floração, embora sejam plantas monóicas (hermafroditas) como todas as outras Orchidaceae.

Tal característica veio a trazer muita confusão entre taxonomistas até o início do século passado, que chegaram a descrever em gêneros distintos as plantas que se apresentavam com flores masculinas (com partes femininas atrofiadas) e as plantas que se apresentavam com flores femininas (com partes masculinas atrofiadas), tamanha a diferença entre elas, vejam as fotos abaixo.

1. Uma flor masculina, por ângulos diferentes:











2. Inflorescência de flores femininas:


DUNGS, F & PABST, G.F.J em seu livro Orchidaceae Brasilienses - Band II, nas páginas 354 e 355 apresentam um chave dicotômica para se chegar ao gênero Catasetum, transcrevendo os caminhos percorridos:

"1 - Plantas de crescimento simpodial;
2a - Políneas nunca lateralmente comprimidas, às vezes há achatamento dorsi-ventral;
3a- Crescimento sempre nitidamente simpodial;
4 - Prefoliação convolutiva ou plicata; folhas com várias nervuras visíveis;
5 - Flores especializadas, masculinas, femininas, às vezes hemafroditas, ou mesmo dos dois sexos na mesma inflorescência e às vezes com flores hemafroditas entre elas;
6 - Coluna com dispositivo de ejeção de políneas ....... Catasetum."

Empiricamente à quem tem tido contato com as Cataseta há mais tempo é sabido que nas plantas expostas a maiores insolações há predominância de surgimento de flores femininas, do contrário, mais à sombra, predominância de flores masculinas, mas o que muitas vezes fica vago são os aspectos quantitativos, ou seja, quanto mais sob insolação ou sob sombra?

Recentemente tomei conhecimento da tese mestrado de Moraes, C. P., 1992, de título Fenologia e anatomia dos órgãos reprodutivos de Catasetum fimbriatum Lindley cultivados sob diferentes intensidades luminosas, defendida na ESALQ/USP, e cujo atalho para download do PDF se encontra aqui.

O autor fez um experime
nto composto de 3 tratamentos, em que tratamento 1 (T1) 15 plantas de Catasetum fimbriatum foram cultivadas sob intensidade luminosa variando de 1300 a 1900 μmol m-2 s-1 de fótons, alta intensidade luminosa, tratamento 2 (T2) 15 plantas de Catasetum fimbriatum foram cultivadas sob intensidade luminosa variando de 400 a 650 μmol m-2 s-1 de fótons, baixa intensidade luminosa e, tratamento 3 (T3) 15 plantas de Catasetum fimbriatum foram mantidas nas árvores sob intensidade luminosa variando de 500 a 800 μmol m-2 s-1de fótons.

Com os indivíduos de T3 (plantas mantidas nas árvores) nos aspectos vegetativos houveram sempre características intermediárias aos extremos T1 (alta intensidade luminosa) e T2 (baixa intensidade luminosa).

T1 com brotação iniciando mais precocemente e sempre em menor número, sendo que o autor explica que, dentre outros fatores, isto é devido ao nível energético acarretado pela maior luminosidade e conseqüente maior temperatura proporcionadas neste tratamento, fazendo com que os processos fisiológicos tenham sido agilizados.

Um aspecto
, cujo autor não aborda, que teorizo estar correlacionado com o menor número de brotações em T1 é o fato de fitormônios, em especial refiro-me às auxinas, possuírem meia-vida menor quando expostas às radiações maiores, sofrendo mais intensamente então fotodegradação (leia-se mais reações oxidantes/degradantes do hormônio pela luz por unidade de tempo). Auxinas estão diretamente envolvidas no crescimento vegetal e, são produzidas intensamente nos ápices das plantas, por exemplo, as gemas laterais dos pseudobulbos das Cataseta, Algo semelhante, segundo outros autores, explica a tortuosidade das árvores e arbustos na vegetação de Cerrado strictu sensu.

Também em T1, as folhas que surgiram mais cedo, caíram cerca de 5 meses antes que em T2.

Embora o autor não tenha tido muito sucesso com seu experimento no que se refere à florações, uma vez que relativamente poucas plantas floresceram, em T3 (plantas nos habitates) de 15 plantas, 7 floresceram sendo que 5 delas apresentando inflorescências com flores masculinas, na discussão e conclusão final o mesmo fez uma abordagem interessante no que se refere à expressão sexual das flores em função dos níveis endógenos (dentro do corpo da planta) do também fitormônio etileno.


Propõe que sob os estresses ambientais como alta intensidade luminosa, alta temperatura e baixa umidade relativa, bem como deficiências hídricas, que acarretando em maior síntese de etileno pela planta, faz com que a diferenciação floral seja direcionada às flores femininas.

Interessante pensar nas razões da natureza aparentemente ter engenhado para que fêmeas predominacem, ainda mais em condições de estresses, em plantas e em animais.

Tive a oportunidade de observar muitas Catasetum fimbriatum (C.Morren) Lindl., Paxton's Fl. Gard. 1: 124 (1850) nos estados de SP, MG e MS, preferencialmente epifitando estipes de Palmaceaes.

Abaixo seguem vídeos de disparos, ou ejeções, das políneas de flores masculinas de Catasetum fimbriatum ao tocar com o dedo suas cerdas.










No primeiro vídeo o disparo por uma flor mantida na planta, onde é possível perceber a rapidez em que o mesmo se dá, bem como ouvir um chiado no ato, no segundo vídeo, o disparo de uma flor recém destacada da planta, reparem na demora na resposta ao ser tocada e, embora a qualidade do vídeo não tenha ajudado, o chiado com o disparo desta é mais baixo do que na primeira.

Essa diferença vem a ser explicada pelo fato da flor destacada não mais dispor da continuidade hídrica com a planta, diminuindo assim a potência de disparo das políneas, o que daria um estudo interessante observar a perda de potência no disparo das políneas em função da perda de turgor ao longo do tempo da flor destacada do resto planta, somando a isso diferentes métodos e técnicas de conservação da flor...

Abaixo fotos do resultado do disparo, as políneas ficam bastante aderidas em uma superfície, no caso minha unha, mas na natureza normalmente seria o dorso de uma abelha da tribo Euglossini.