A maioria das dúvidas foram referentes à necessidade do plástico e qual o sombrite na cobertura do oquidário.
Bem, o plástico é necessário sim, principalmente para não ocorrer prejuízos na época das chuvas devido a severidade das doenças fúngicas (a grosso modo, incidência de doenças diz respeito ao número de focos e, severidade, diz respeito aos tamanhos de cada foco, algumas idéias a mais podem ser tiradas
deste e
deste artigo, dentre tantos outros).
A seguir fotos de algumas plantas de orquídeas em um orquidário não coberto com plástico, após as primeiras chuvas de verão:










Agora abaixo, fotos dos recém retirados dos frascos seedlings de orquídeas plantados em bandeijas, provavelmente atacadas por
Pithyum ultimum. Os seedlings são plantas ainda com baixa resistência aos estresses ambientais, tais como o ataque de pragas e doenças, necessitando assim de maiores cuidados que as plantas adultas:


Bem, a água na superfície da planta por muito tempo (plantas o verão todo recebendo chuvas) propicia a germinação dos esporos fúngicos na superfície das mesmas, algo já discutido em
Regas em orquídeas.
Apesar de doenças de orquídeas ser tema de um futuro post, adianto que a ocorrência de doenças é uma excessão na natureza, as mesmas só ocorrem se as condições estão favoráveis, ou seja, é necessária a presença de um patógeno capaz de causar a doença (com
virulência), de um hospedeiro suscetível, o ambiente favorável (temperatura, umidade, radiação, pH do substrato...) e, no caso de plantas cultivadas, as maneiras pelas quais o homem interfere, favorecendo ou não a ocorrência das doenças.
Segue um modelo (desculpem a minha limitação artística em desenhar!) no qual ilustra-se as etapas de germinação do esporo e início da colonização das hifas fúngicas ao longo do corpo da planta:

E o plástico vem a ser uma medida eficaz de controle de doenças, especialmente no verão quando temos muita umidade e temperatura favorável à proliferação de microrganismos virulentos no geral. Necessário cuidado para não propiciar formação de "barrigas" no plástico devido ao acúmulo de água, ele tem que ter caída e estar bem esticado.
Quanto ao eventual problema por super aquecimento, lembrem daquelas dicas anteriores,
sombrite pelo menos 30 cm acima do plástico acima do plástico, como medida de se diluir a radiação que atingirá o plástico, de maneira que o mesmo não esquente tanto quanto poderia e, plantas afastadas em pelo menos 1,2 m da cobretura de plástico. Com esses cuidados, além de laterais abertas (mesmo as fechadas com telas), dificilmente se terá problemas com super aquecimento.Agora quanto à tela sombrite, ao invés dos tradicionais 70 % de sombra como dizem nas revistas por aí, recomendo não mais que 60 %, pois o plástico com o passar do tempo, sujando, aumenta gradualmente a sombra, que somada com a corresposdente 70 % do sombrite acarretaria sombra em demasia, e seria um dilema para se escolher quais plantas ficariam penduradas em cima das outras.
Lembrando que é necessário o equilíbrio entre as variáveis de produção agrícola, ou se preferirem os biólogos, de desenvolvimento dos seres vivos, para o melhor desenvolvimento vegetal possível. De maneira resumidíssima a produtividade/desenvolvimento das plantas está em função do componente genético + temperatura + nutrientes minerais +
luz + água, ou seja, pouco adianta, por exemplo, ter uma planta bem adubada, se esta não recebe água (vejam
Visita técnica) e luz da maneira adequada.

Com telas de sombreamento correspondentes a 60 ou 50 %, ficaria tudo mais iluminado nas bancadas de baixo cabendo à experiência, ou conhecimento de habitates das plantas em questão, ir se escolhendo o lugar de cada uma no orquidário.
Microrquídeas terrestres sob mata fechada, como as das fotos abaixo, poderiam ocupar a prateleira mais abaixo deste esquema de orquidário (
cliquem aqui)
Cyrtopodium glutiniferum Raddi, Mem. Mat. Fis. Soc. Ital. Sci. 19(2): 220 (1823), como as da foto a seguir, ambos no habitat (campos rupestres altimontanos), necessitam receber mais luz para terem seu ciclo vital completado, provavelmente pela evolução terem lhes conferidos baixa eficiência da conversão da energia luminosa para energia química nos primeiros processos da
fotossíntese, fazendo-as necessitar de mais luz (só hipótese!).

A seguir, fotos tiradas no mesmo dia de dois vasos de
Acianthera teres (Lindl.) Borba, Sitientibus, Ciênc. Biol. 3: 23 (2003), também evoluída e fixada como espécie nos campos rupestres altimontanos, a principal diferença é que o vaso da foto na esquerda estava sob condição de luminosidade próxima ao ideal, e a da foto à direita mais à sombra, e suas folhas estiolaram.


Ambas espécies de campos rupestres altimontanos as cultivo fora do espaço do orquidário, direto sob o Sol de metade do dia ao menos e penduradas nas beiradas do mesmo.
A seguir, dois ambientes distintos da
Microlaelia lundii (Rchb.f. & Warm.) Chiron & V.P.Castro, Richardiana 2: 11 (2002), à esquerda sob insolação direta o dia todo, e à direita sob bastante sombra. Embora a mesma tenha condições de florescer em uma amplitude muito grande de condições de luminosidade, recomendo que o cultivo da mesma se dê na direção da foto da esquerda, maior insolação, por ser mais fácil de se controlar doenças nestas.


Agora, como saber se as plantas estão recebendo luminosidade em demasia?
Observando os sintomas:
Ao lado, uma Cattleya nobilior literalmente esquecida sob o Sol durante uma mudança, tendo

duas de suas folhas feridas com uma luminosidade maior do que
aquela que estavam "acostumadas" a suportar. Notem que as queimaduras foram exatamente nas sueperfícies mais planas das respectivas folhas, justamente onde devido ao ângulo perpendicular com a incidência luminosa, a mesma foi mais concentrada.
Por isso e mais um pouco, e apesar de eu ser suspeito para falar, gosto de referir-me à agronomia de ponta como uma ecologia aplicada, uma vez que trata de estudar e correlacionar biologia de planta, biologia de pragas, química e física (dentre tantas outras ciências) e aplicá-las de maneira que obtenha uma melhor produção agrícola.
Este post abre caminho para uma série de outros posts, que a muito tinha em mente, sobre fisiologia vegetal, fitopatologia e
(refiro-me à ecologia como ciência, não aquela filosófica cujo termo é subestimad0) aplicada ao cultivo de orquídeas.