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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Monografia de pragas e doenças em orquidários finalizada - link para baixá-la aqui

Oi pessoal, 

muito obrigado por terem me ajudado respondendo as questões do questionário sobre pragas e doenças nos seus orquidários (mencionado neste post http://mvlocatelli.blogspot.com.br/2013/12/pragas-e-doencas-de-orquideas.html).



As contribuição de vocês foram muito enriquecedoras, as mesmas possibilitaram a visualização de um desenrolar sem fim de cenários e informações variadas, no entanto, neste primeiro momento, me contive em atender as exigências do curso de especialização em proteção de plantas que acabo de concluir.

A partir do endereço de email que muitos deixaram no questionário já enviei a monografia concluída, no entanto, alguns desses emails voltaram, provavelmente por algum erro de digitação do endereço correto, para esses que não receberam, e para os demais que tenham interesse, deixo aqui o link (https://drive.google.com/file/d/0B5I6PzPZfhovWENwTzVzaWFnNkE/edit?usp=sharing) para que acessem a versão final da minha monografia intitulada: PRAGAS, DOENÇAS E SEUS CONTROLES NO CULTIVO DE ORQUÍDEAS – CULTIVO COMERCIAL E CULTIVO AMADOR.

É um texto rápido, com colocações simples e panorâmicas, mas é um norte, não havia algo do tipo para o Brasil.

Por exemplo, há somente uma doença de orquídeas que possui produtos defensivos registrados/permitidos pelo Ministério da Agricultura, o que de certa forma nos coloca desarmados, não de produtos para o uso, que como todo mundo sabe há muitas opções facilmente adquiridas por aí, mas pela limitação de informações quanto ao uso desses, em se tratando de doses, periodicidades e finalidades. Através de estudos deste tipo é que se começa a movimentação para se tapar esses buracos.

A disposição, 

Marcus




sábado, 26 de abril de 2008

Dicas para construção de orquidários 2

Devido a quantidade de questionamentos que surgiram referentes ao post Dicas para construção de orquidários, achei cabível mais um post.

A maioria das dúvidas foram referentes à necessidade do plástico e qual o sombrite na cobertura do oquidário.

Bem, o plástico é necessário sim, principalmente para não ocorrer prejuízos na época das chuvas devido a severidade das doenças fúngicas (a grosso modo, incidência de doenças diz respeito ao número de focos e, severidade, diz respeito aos tamanhos de cada foco, algumas idéias a mais podem ser tiradas deste e deste artigo, dentre tantos outros).

A seguir fotos de algumas plantas de orquídeas em um orquidário não coberto com plástico, após as primeiras chuvas de verão:





























































Agora abaixo, fotos dos recém retirados dos frascos seedlings de orquídeas plantados em bandeijas, provavelmente atacadas por Pithyum ultimum. Os seedlings são plantas ainda com baixa resistência aos estresses ambientais, tais como o ataque de pragas e doenças, necessitando assim de maiores cuidados que as plantas adultas:










Bem, a água na superfície da planta por muito tempo (plantas o verão todo recebendo chuvas) propicia a germinação dos esporos fúngicos na superfície das mesmas, algo já discutido em Regas em orquídeas.

Apesar de doenças de orquídeas ser tema de um futuro post, adianto que a ocorrência de doenças é uma excessão na natureza, as mesmas só ocorrem se as condições estão favoráveis, ou seja, é necessária a presença de um patógeno capaz de causar a doença (com virulência), de um hospedeiro suscetível, o ambiente favorável (temperatura, umidade, radiação, pH do substrato...) e, no caso de plantas cultivadas, as maneiras pelas quais o homem interfere, favorecendo ou não a ocorrência das doenças.

Segue um modelo (desculpem a minha limitação artística em desenhar!) no qual ilustra-se as etapas de germinação do esporo e início da colonização das hifas fúngicas ao longo do corpo da planta:


E o plástico vem a ser uma medida eficaz de controle de doenças, especialmente no verão quando temos muita umidade e temperatura favorável à proliferação de microrganismos virulentos no geral. Necessário cuidado para não propiciar formação de "barrigas" no plástico devido ao acúmulo de água, ele tem que ter caída e estar bem esticado.


Quanto ao eventual problema por super aquecimento, lembrem daquelas dicas anteriores, sombrite pelo menos 30 cm acima do plástico acima do plástico, como medida de se diluir a radiação que atingirá o plástico, de maneira que o mesmo não esquente tanto quanto poderia e, plantas afastadas em pelo menos 1,2 m da cobretura de plástico. Com esses cuidados, além de laterais abertas (mesmo as fechadas com telas), dificilmente se terá problemas com super aquecimento.

Agora quanto à tela sombrite, ao invés dos tradicionais 70 % de sombra como dizem nas revistas por aí, recomendo não mais que 60 %, pois o plástico com o passar do tempo, sujando, aumenta gradualmente a sombra, que somada com a corresposdente 70 % do sombrite acarretaria sombra em demasia, e seria um dilema para se escolher quais plantas ficariam penduradas em cima das outras.

Lembrando que é necessário o equilíbrio entre as variáveis de produção agrícola, ou se preferirem os biólogos, de desenvolvimento dos seres vivos, para o melhor desenvolvimento vegetal possível. De maneira resumidíssima a produtividade/desenvolvimento das plantas está em função do componente genético + temperatura + nutrientes minerais + luz + água, ou seja, pouco adianta, por exemplo, ter uma planta bem adubada, se esta não recebe água (vejam Visita técnica) e luz da maneira adequada.


Com telas de sombreamento correspondentes a 60 ou 50 %, ficaria tudo mais iluminado nas bancadas de baixo cabendo à experiência, ou conhecimento de habitates das plantas em questão, ir se escolhendo o lugar de cada uma no orquidário.

Microrquídeas terrestres sob mata fechada, como as das fotos abaixo, poderiam ocupar a prateleira mais abaixo deste esquema de orquidário (cliquem aqui)

Cyrtopodium glutiniferum Raddi, Mem. Mat. Fis. Soc. Ital. Sci. 19(2): 220 (1823), como as da foto a seguir, ambos no habitat (campos rupestres altimontanos), necessitam receber mais luz para terem seu ciclo vital completado, provavelmente pela evolução terem lhes conferidos baixa eficiência da conversão da energia luminosa para energia química nos primeiros processos da fotossíntese, fazendo-as necessitar de mais luz (só hipótese!).

A seguir, fotos tiradas no mesmo dia de dois vasos de Acianthera teres (Lindl.) Borba, Sitientibus, Ciênc. Biol. 3: 23 (2003), também evoluída e fixada como espécie nos campos rupestres altimontanos, a principal diferença é que o vaso da foto na esquerda estava sob condição de luminosidade próxima ao ideal, e a da foto à direita mais à sombra, e suas folhas estiolaram.













Ambas espécies de campos rupestres altimontanos as cultivo fora do espaço do orquidário, direto sob o Sol de metade do dia ao menos e penduradas nas beiradas do mesmo.

A seguir, dois ambientes distintos da Microlaelia lundii (Rchb.f. & Warm.) Chiron & V.P.Castro, Richardiana 2: 11 (2002), à esquerda sob insolação direta o dia todo, e à direita sob bastante sombra. Embora a mesma tenha condições de florescer em uma amplitude muito grande de condições de luminosidade, recomendo que o cultivo da mesma se dê na direção da foto da esquerda, maior insolação, por ser mais fácil de se controlar doenças nestas.













Agora, como saber se as plantas estão recebendo luminosidade em demasia?

Observando os sintomas:

Ao lado, uma Cattleya nobilior literalmente esquecida sob o Sol durante uma mudança, tendo
duas de suas folhas feridas com uma luminosidade maior do que
aquela que estavam "acostumadas" a suportar. Notem que as queimaduras foram exatamente nas sueperfícies mais planas das respectivas folhas, justamente onde devido ao ângulo perpendicular com a incidência luminosa, a mesma foi mais concentrada.




Por isso e mais um pouco, e apesar de eu ser suspeito para falar, gosto de referir-me à agronomia de ponta como uma ecologia aplicada, uma vez que trata de estudar e correlacionar biologia de planta, biologia de pragas, química e física (dentre tantas outras ciências) e aplicá-las de maneira que obtenha uma melhor produção agrícola.

Este post abre caminho para uma série de outros posts, que a muito tinha em mente, sobre fisiologia vegetal, fitopatologia e ecologia (refiro-me à ecologia como ciência, não aquela filosófica cujo termo é subestimad0) aplicada ao cultivo de orquídeas.


segunda-feira, 21 de abril de 2008

Dicas para construção de orquidários

Dúvidas que acho bastante comuns entre orquidófilos iniciantes diz respeito à construção de um ambiente propício ao cultivo de orquídeas no quintal de suas casas.

Considerando a realidade da maioria que é a pouca disponibilidade de espaço, seguem algumas dicas de construção e funcionamento do orquidário, que acredito que irão trazer bastante benefícios.

Este modelo de orquidário acima, com telhado de duas águas, é indicado para aqueles com pouco mais de espaço.
Notem algumas particularidaes: O canto esquerdo do mesmo está afastado do fluxo de água da calha da residência. No canto esquerdo também, há uma disposição das bancadas em escadinha, de maneira que a insolação no canto da parede seja otimizada, e uma altura máxima de 1,5 m para aquela mais alta facilita os tratos culturais, também neste caso, cada bancada com não mais que 30 cm de espessura evita o amontoamento de plantas, com isso, evita-se também uma série de problemas fitossanitários. A tela de sombreamento, ou sombrite, está a 30 cm acima do plástico, visando-se diminuir o aquecimento no interior do orquidário, evitando-se também que as plantas mais próximas da cobertura queimem pelo calor. No lado direito, contrário à parede, pode-se fazer um varal para dispor plantas penduradas. A bancada do meio pode ser um pouco mais larga, pois existe a possibilidade de se andar pelos seus dois lados, mas sempre lembrando de não encostar muito um vaso no outro. A largura pode-se estender, de acordo com o espaço disponível, mas lembrando que a altura mínima recomendada é de 2,5 m, e é absolutamente necessário haver uma caída no telhado para as águas de chuvas, e pode-se ir colocando mais bancadas e ou varais de pendurar vasos.

No modelo acima, um orquidário com teto de uma água, para aqueles com menos espaço. Detalhes: no canto direito, uma altura menor (2,0 m), se deve ao fato das plantas neste canto estarem em bancadas, acerca de 50 cm do chão. No canto esquerdo, uma grade de tela de modo que possa fixar algumas plaquinhas de plantas menores, como Sophronittis, etc.


Agora acima, para aqueles que gozam do que considero um verdadeiro luxo na orquidofilia, mais espaço, também modelo de telhado de duas águas, orientação do seu comprimento no sentido Norte - Sul, de maneira que o caminhamento do Sol ao longo do dia, no sentido Leste - Oeste, distribua mais uniformemente a radiação no interior do orquidário. Neste caso o sombrite é esticado nas laterais por meio de varais fora da estrutura.

Para a produção de olerícolas (vulgo hortaliças) em ambientes protegidos (casas-de-vegetação), uma das recomendações é que se mantenha uma distância mínima de 1,2 m entre o plástico e as plantas.

Uma ressalva pertinente que considero, diz respeito ao uso de termos como estufa para produção de orquídeas, o que traz um conceito totalmente equivocado, pois a definição de estufa é justamente um ambiente que vise aquecer, o que no nosso caso, climas tropicais e subtropicais, não se aplica, pois na maioria das vezes é crucial o uso de dispositivos que permitam a perda de calor de dentro da instalação, ou resfriamento, assim, o termo mais apropriado seria casas-de-vegetação.

Os exemplos foram inseridos aqui afim de se de transmitir algumas idéias que julgo relevante, cabendo uma análise mais pontual acerca das reais condições em que se irá construir um orquidário.