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terça-feira, 10 de março de 2009

Diferentes florações, diferentes flores.


"Oh amor poderoso, que faz de uma besta um homem, e de um homem uma besta" - conscientemente ou não, ou seja, por instinto (memória genética!!!) ou por aprendizado, temos a idéia que tudo na verdade é uma mera questão de "depende", na minha opinião no teatro de Shakespeare podemos identificar alguns bons exemplos de que equilíbrio de uma determinada coisa em relação às demais, e não necessária e unicamente a existência dela em um corpo ou em um contexto, é fundamental para acontecer uma dada resposta, várias ações e uma reação. Voltando ao post anterior, que traz a idéia de que as obras de arte se consagram justamente por serem elas harmoniosas e familiares aos sentidos. 

Consultando qualquer dicionário sobre o termo "equilíbrio" podemos ver que "proporção" sempre aparece, e o que consigo ver nessas palavras de Shakespeare citadas é, a interação entre os hormônios testosterona (força bruta, agressividade...), ocitocina e vasoprecina, salvo engano os dois últimos envolvidos com a sensação de prazer, sociabilidade, comportamento gentil... Deixo claro que reconheço que meu conhecimento sobre fisiologia animal é bastante vago, então, posso vir a passar vergonha diante de um médico fisiologista que eventualmente possa vir a ler este.

Na foto abaixo à esquerda, flores de uma Cattleya bicolor brasiliensis na floração de 2007, e na direita, a mesma, florida em 2009:













Chegou meio sofridinha, sem raízes, e em 2007 na primeira floração comigo saiu assim, mas notem a falta de simetria entre as anomalias nas flores anômalas... Espera-se que neste caso, anomalias de ordem genética sejam simétricas, ou seja, que as mesmas anomalias se repitam em ambas as pétalas e flores. Na foto abaixo vemos o "boom" de desenvolvimento que a planta teve, pseudobulbos mais velhos com menos de 30 cm de comprimento, e os dois mais novos com mais de 60 cm.


Agora, abaixo à esquerda, flor de uma Cattleya bicolor brasiliense, floração de 2008, com a flor expressando todo seu potencial genético em termos de armação de pétalas, apesar da planta também estar recém plantada, com poucas raízes, etc. E na foto à direita, a floração deste ano, 2009, com uma ligeira anomalia em uma das pétalas (também nenhuma simetria de anomalia):












As possíveis causas que desencadearam essas deformações nas flores são inúmeras, provável que no primeiro caso tenha havido uma interação entre estresses ambientais, dentre eles os relacionados a clima e fatores nutricionais, pois a planta também estava sem raízes e, portanto, sem conseguir absorver de maneira adequada água e nutrientes minerais, aí nos anos que se seguiram, com a planta já estabelecida, aclimatizada e enraizada as coisas mudaram. Mas no segundo caso imagino que o estresse tenha sido um só, um inseto, provavelmente um psilídio, que deu a "picada de prova" no botão da flor, o que causou desordens não só de ordem física mecânica, pois as células do botão da flor eram menores, e qualquer trauma por menor que seja, causa uma cicatriz que se amplia com o aumento do volume do tecido floral, e sabidamente insetos injetam toxinas com suas picadas, toxinas estas que causam desordens fisiológicas alterando a morfologia e até mesmo a cor dos órgãos afetados, justamente o que aconteceu, notem que parece que o sintoma de deformação e de coloração atípica tem um centro de origem, este possivelmente o local da picada.

Diante desses casos, comum aparecer alguém para dizer: "sua orquídea está com vírus", "joga ela fora"... Bom, o buraco é mais embaixo, lembre-se do equilíbrio entre as variáveis cuja maioria nem sequer conhecemos, e possivelmente compense esperar para ver se há repetição ao longo dos anos (princípio científico da VERIFICAÇÃO!), mesmo sendo, ou achando ser, exigente à qualidade.

 Embora seja sabido também que mesmos as picadas de prova dos insetos (a denominação técnica é realmente esta) que causam muitas injúrias e, inclusive podem transmitir vírus às plantas. Mas nesse caso aguardarei para ver ano que vem, afinal, não vejo nada demais de um aspirante à cientista ter um pouco de fé de vez em quando.

A principal mensagem que teria para passar neste post é que se adquiriu uma planta e logo na primeira floração ela não atendeu suas expectativas, paciência, ano que vem as coisas podem ser diferentes. 

 "O que seria mais importante, milhares de cavalos sem chifre, ou um cavalo com chifre dentre milhares sem???", não sei onde ouvi essa, mas achei legal a idéia que ela trás, digo porque determinados estímulos, combinados com o potencial genético dos indivíduos para responder a eles, ou ainda uma anomalia genética, intrínseca ao indivíduo, puxa vida que interessante, se quem estiver lendo este texto tiver uma planta dessas esquisitas e que eventualmente queira se desfazer dela, eu já adianto que eu aceito, especialmente se a anomalia for genética.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Plantanto orquídeas 1: cachepô

Tenho grande parte das minhas orquídeas plantadas dessa maneira, de Cattleyas a Laelias e principalmente Oncidiuns, que assim plantadas, suas raízes apresentam-se sempre saudáveis, bem como a planta toda de uma maneira geral.
Orquídeas não toleram água parada por muito tempo nas raízes.
Na sequência de fotos tento mostrar como replantar orquídeas em cachepôs. A muda de Cattleya jenmanii foi plantada em dezembro de 2007 e floresceu em março de 2008.
No caso foram utilizados como substrato toquinhos de cafeeiro como preenchimento de boa parte do volume do cachepô, na camada de cima, uma mistura de toquinho de cafeeiro com xaxim desfibrado.
Ressalvas
  1. Acredito que se utilizasse apenas os toquinhos teria dado o mesmo efeito.
  2. A madeira de cafeeiro é muito boa para plantar orquídeas, mas apresenta a desvantagem de ser muito suscetível às brocas no período das chuvas.




















































Agora uma Brasilidium praetextum, detalhe na última foto uma vareta de bambu atravessada para imobilizar a muda depois do plantio.


Vejam mais fotos aqui:
  1. Cattleya amethystoglossa;
  2. Cattleya velutina;
  3. Cattleya aclandiae;
  4. Cattleya schilleriana 2;
  5. Cattleya schilleriana;
  6. Lycaste macrophylla;
  7. Cattleya kerrii;
  8. Anacheilium cochleatum;
  9. Brasilidium forbesii;
  10. Cattleya aclandiae 2;
  11. Hadrolaelia lobata alba;
  12. Cattleya guttata 'Gutatona'.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Abelhas comendo flores (retificado)










As arapuás ou abelhas-cachorro, Trigona spinipes (Fabr.), são importantes pragas agrícolas, especialmente para as lavouras de fruteiras, como as de maracujá, manga, jaca, abacate e banana, seja por se alimentarem de seus tecidos florais, ou outros tão quanto tenros, como também por inibirem os seus respectivos polinizadores, como a outra abelha, a mamangava nas flores do maracujazeiro, por exemplo, trazendo prejuízos aos agricultores.

Atacam também as orquídeas, especialmente os tecidos florais e, em menor frequência, outros órgãos mais tenros como gemas e as coifas das raízes.

Utilizam-se das substâncias dos tecidos florais não só para se alimentarem, mas também para edificações de ninhos.

O controle mais eficiente é o preventivo, destruição dos seus ninhos nas proximidades, embora exista a possibilidade de se controlar quimicamente, em ocasiões que você não tem como destruir o ninho pelo mesmo se encontrar na residência de algum vizinho.

Partes florais consumidas (as duas primeiras abaixo, bem como na segunda linha à direita, Cohniella jonesiana, e na segunda linha abaixo, a esquerda Cattleya forbesii).




















Atrapalhando cruzamentos: furtando políneas (ambas abaixo, Cattleya bicolor brasiliense), e











fazendo o papel das abelhas, polinizando para que haja a fecundação (ao lado e abaixo, Coppensia varicosa). Lembrando que não é muito vantajoso deixar isso por conta delas, pelo fato de nunca se ter certeza sobre a verdadeira planta doadora de pólen na ocasião.

















Pouco mais sobre a Trigona spinipes (Fabr.), aqui e aqui.