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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Retirando as orquídeas dos frascos - 1

Em se tratando de retirada de orquídeas dos frascos existem alguns cuidados importantes a serem tomados para não se jogar fora um trabalho e uma espera de aproximadamente um ano.

Cuidados estes referentes à lavagem das plantas e acondicionamento das mesmas enquanto aguardam o plantio nas bandejas, cuidados também referentes a escolha do lugar a se deixar as bandejas.

Para aqui ilustrar os procedimentos usei plantas em frascos que estavam contaminados, porém, pela contaminação ter sido tardia, as plantas já estavam grandes, algumas até passadas da hora de retirar dos frascos diga-se de passagem, que por restrição de espaço muitas vezes me vejo obrigado a mantê-las o maior tempo possível nos frascos. Para verem mais sobre contaminações no meio de cultura cliquem aqui.





















Quanto às contaminações tardias, que são aquelas contaminações que surgem depois de algum tempo (meses!) no frasco sem que se tenha de alguma forma manipulado os mesmos, tenho três hipóteses que considero plausíveis para tentar explicar porque acontecem, e sabendo delas pode-se ao menos buscar atenuar o problema:

1- má esterilização do meio nutritivo (auto-clave desregulada aliada a vidros sujos, por exemplo), que permite a sobrevivência das estruturas de resistências dos microrganismos por muito tempo, até anos, microrganismos que deixarão suas formas latentes (esporos) quando se encontrarem em um ambiente favorável à sua proliferação.

2- má desinfestação das ferramentas utilizadas em algum momento, como pinças, levando também esporos resistentes para dentro do frasco.

3-frascos acondicionados em ambientes sujeitos a muita oscilação térmica em um espaço de tempo relativamente curto, algumas horas, compare os casos abaixo.

À esquerda em prateleiras na sala de cultura de um laboratório, onde os frascos com as plantas ficam a temperatura de cerca de 25 ºC constante ao longo do dia, pouco problema com contaminações tardias e, à direita, sobre a mesa da minha sala de jantar, onde os frascos na beirada do lado da janela recebem luz solar direta por quase a manhã toda, com maiores ocorrências de contaminações tardias.














Estas mudanças de temperatura, especialmente nos frascos que aquecem-se mais sob o Sol, acarretam em contrações e dilatações das tampas e consequente de suas vedações, que já se encontram bastante empoeiradas (abaixo).


Mesmo assim, é perfeitamente viável improvisar "um canto" a se alojar os frascos para as mudinhas crescerem, tomando o cuidado ainda para esses frascos não receberem muita insolação direta bem como água de irrigação ou de chuva.

Ainda, fugindo do assunto principal do post, para variar, muita gente acha que os frascos são absolutamente vedados e impermeáveis, o que não é verdade, pois sempre existirão trocas gasosas, por menores que sejam, entre as atmosferas de dentro com as de fora dos frascos. Permeabilidades estas na maioria das vezes restritas o suficiente para barrar os microrganismos.

E finalmente, vamos à retirada das plantinhas de orquídeas de dentro dos frascos:

Sob uma torneira abra os frascos e de uma lavada.





















Após se jogar o excesso de água fora, dê umas pancadinhas com a outra mão no fundo do frasco de modo a quebrar o máximo possível a consistência do meio nutritivo. Após mais um enxague, boa parte do meio nutritivo já sairá.











Depois de despejar as plantinhas na peneira termina-se de retirar todo o resquício de meio nutritivo aderido às raízes, caso contrário, um eventual resquício será um foco de uma colônia de fungos decompositores na base de uma planta tenra e indefesa.














Cuidado com as regiões onde havia focos de contaminações, são mais difíceis de lavar:










Abaixo, morte de raízes pela ação dos fungos que liberaram substâncias nos meios nutritivos. Nota-se que a morte das raízes acarretou em deficiências nutricionais das plantinhas dentro dos frascos. As folhas amareladas indicam deficiência de nitrogênio.











Para agilizar esta etapa, após a lavagem pode-se ir acondicionando as plantas lavadas no recipiente de origem, também lavado.










Mas para acondicionar as plantas retiradas por mais tempo, é aconselhável ajustar um pouco
mais o recipiente. No caso, prefiro utilizar de potes plásticos.











Para que as plantas que possam ter alguma parte encostada no fundo do pote plástico não fermentem naquela região de água acumulada, é útil que se cubra o fundo com uma camada de papel higiênico, ou outro papel absorvente qualquer.































Mantém-se o papel úmido, não encharcado, e a tampa do pote fechada, afim de se manter uma atmosfera saturada de umidade no interior dos potes de modo que as plantinhas nãos desidratem-se. Dessa forma, esses seedlings de orquídeas aguentam algumas semanas aguardando serem transplantadas.

Alguns recomendam um tratamento com fungicidas, o que considero absolutamente desnecessário, pois no geral os fungos que causam contaminação nos meios de cultura são meramente oportunistas, e proliferarão de qualquer maneira se o ambiente a se alojar as plantas for favorável.

Continua...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

"UTI" para orquídeas

O termo "UTI" vem sendo empregado na orquidofilia para representar métodos de se recuperar as traseiras das plantas de orquídeas que sobram após a poda feita na touceira para o replantio, ou quando por alguma razão, a planta definhou em condições "normais" de cultivo, ou ainda simplesmente com o objetivo de se promover alguma brotação de raízes e/ou brotos antes de se plantarem as orquídeas em lugar mais apropriado, vasos, cachepôs, árvores ou cascas, por exemplo.

O método que venho utilizando com bastante sucesso é o plantio dessas partes na areia grossa como substrato em um vaso qualquer, de cerâmica ou de plástico, sempre recebendo os tratos normais, como regas, adubações e outras pulverizações.

A técnica é basicamente enterrar a parte mais basal dos pedaços de plantas (pseudobulbos traseiros), de maneira tal que se mantenha sustentada na vertical, sem enterrar na areia em profundidade demasiada.

Ajuda bastante se antes for utilizado algum estimulador de raízes.

Os vasos devem ficar em lugar relativamente mais sombreados, é freqüente acontecer de as brotações novas apodrecerem em condições de verões bastante chuvosos como ocorre em boa parte do Brasil, por isso se as chuvas estiverem muito freqüentes, recomendo que se abrigue o vaso nessas épocas, porque se não apodrece mesmo.

Com o brotinho já bem desenvolvido, com as raízes no início do crescimento, pode-se amarrar a muda em um toquinho, ou plantar em um vaso pequeno, por exemplo, aí segue o normal, aumentando de tamanho de vaso na medida que a touceira vai crescendo.






















Existem outros métodos que são o de se colocar os pseudobulbos dentro de uma garrafa pet cortada, ou deixar as traseiras no copinho de alguma bromélia maiorzinha do quintal, ambos me parecem que funcionam também, mas continuo achando o apresentado inicialmente aqui mais eficiente, uma vez que ao contrário da pet o vaso pára bem em pé, dá para se colocar várias plantas por vaso e proporciona uma poluição visual menor no orquidário.

A finalidade de se manter os vasos mais sombreados, em lugares de microclima mais úmidos do orquidário, assim como no interior de uma pet, é de se evitar a desidratação excessiva dos material plantado, embora a maioria das pessoas diga que o ambiente irá hidratar o material, isto não ocorre pelo fato dele ser alta a impermeabilidade imposta pela cutícula na epiderme dos orgãos das plantas de orquídeas, em outras palavras o microclima serve para diminuir a velocidade de desidratação do material por aumentar potencial hídrico da atmosfera ali presente, e não para "empurrar" água para o interior do corpo da planta.

O mesmo princípio aplica-se para nebulização e outros métodos de aumentar a umidade da atmosfera na aclimatação de vários outros tipos de mudas de outros vegetais recém retirados do ambiente in vitro, ou para favorecer o enraizamento adventício de estaquinhas de crisântemo, por exemplo.