terça-feira, 30 de outubro de 2007

Uma Orchidaceae onde era um mar no Proterozóico

Uma rocha trabalhada pelos agentes de clima e seres vivos ao longo do tempo resulta em um solo com características particulares desta interação, o resultado disso está como frases em páginas de um livro de história contando as oscilações de clima na região a qual se insere, no caso aqui, os solos da região de Bom Jardim de Minas - MG, as rochas que predominam são os xistos (ou lousas para os portugueses), que são rochas de origem sedimentar resultantes do tratamento com pressão e alta temperatura (metamorfismo) que o barro (argila) depositada no fundo do mar que existia ali no Proterozóico sofreu (no latim, Proterozóico = "primeira vida”, compreendeu de 2,5 bilhões a 500 milhões de anos atrás, quer dizer, muito antes aos dinossauros) . Embora hoje a região tenha uma altitude de cerca de 1200 m, e seja o divisor de águas das cabeceiras do Rio Grande e do Rio Paraíba do Sul.

Estes solos nasceram velhos, ou seja, inicialmente rochas de origem vulcânica viraram solos que foram erodidos e depositados no fundo desse mar, e este material transformou-se em rochas por metamorfismo e estas em solos novamente, por isso são de baixa fertilidade (predominam Cambissolos Háplicos alumínicos) tendo o ciclo do café passado ali e não aguentado muito tempo por conta disso, e hoje em função da pobreza dos solos a região é caracterizada também por um relativo vazio populacional humano, e a vegetação é campestre (também pela baixa fertilidade do solo), a família vegetal Asteraceae, principalmente uma espécie de candeia, predomina.

Numa viagem da disciplina de Pedogeomorfologia, como qualquer "orquidoido" que se preze não pude deixar de reparar nos barrancos, pra minha surpresa numa única parada uma Zygopetalum sp., bem definhada, serviu pra uma foto tipo “capa de livro” por mostrar bem o resultado da erosão laminar, onde o escorrimento d’água remove o solo em camadas superficiais, esta touceira tinha pseudobulbos maiores, que na foto não aparecem por estarem soterrados, o que leva-nos a imaginar que ela também rolou um bocado para chegar até ali, talvez estivesse soterrada por completo em algum momento,.

Apesar do ambiente hostil está se reerguendo, notem o líquen, o solo é pobre mas o ambiente tem água, existem líquens colocando nitrogênio no sistema, graças à umidade. Foi só uma parada que tive oportunidade de fazer, imagino o que deve abrigar esta vasta região.

Uma planta adaptada à estas condições teria que ter além de uma alta eficiência em aquisição de nutrientes, uma boa relação de utilização destes, quer dizer, evoluíram para extrair do solo algo perto do máximo de nutrientes que este teria para fornecer, e que aliado a isso possuem um elevado Coeficiente de Utilização Biológica (CUB).

O CUB é a quantidade de matéria seca vegetal (em massa) por unidade de massa do nutriente, exemplificando com soja, após as análise de teores de nutrientes na matéria seca de grãos produzidos estimou-se que a lavoura (conjunto de plantas) produziu 250 kg de matéria seca de grãos para cada kg de fósforo que ela absorveu (CUB = 250 kg/kg), ou seja, outra lavoura que proporcionasse uma produção de 300 kg de matéria seca de grãos para cada kg de fósforo absorvido (CUB = 300 kg/kg) seria mais eficiente na utilização deste nutriente.

Quantos quilogramas de matéria seca uma C. walkeriana conseguiria produzir para cada quilograma de cálcio no cerrado em cima de rochas calcárias (ricas em Ca)? E as walkerianas de cerrado em cima de rochas pelíticas (pobres em Ca), usariam melhor o pouco Ca disponível?

Imaginem as orquídeas deste ambiente se bem cuidadas, sem limitação de recursos.














Um comentário:

Geoblog disse...

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