sábado, 26 de abril de 2008

Dicas para construção de orquidários 2

Devido a quantidade de questionamentos que surgiram referentes ao post Dicas para construção de orquidários, achei cabível mais um post.

A maioria das dúvidas foram referentes à necessidade do plástico e qual o sombrite na cobertura do oquidário.

Bem, o plástico é necessário sim, principalmente para não ocorrer prejuízos na época das chuvas devido a severidade das doenças fúngicas (a grosso modo, incidência de doenças diz respeito ao número de focos e, severidade, diz respeito aos tamanhos de cada foco, algumas idéias a mais podem ser tiradas deste e deste artigo, dentre tantos outros).

A seguir fotos de algumas plantas de orquídeas em um orquidário não coberto com plástico, após as primeiras chuvas de verão:





























































Agora abaixo, fotos dos recém retirados dos frascos seedlings de orquídeas plantados em bandeijas, provavelmente atacadas por Pithyum ultimum. Os seedlings são plantas ainda com baixa resistência aos estresses ambientais, tais como o ataque de pragas e doenças, necessitando assim de maiores cuidados que as plantas adultas:










Bem, a água na superfície da planta por muito tempo (plantas o verão todo recebendo chuvas) propicia a germinação dos esporos fúngicos na superfície das mesmas, algo já discutido em Regas em orquídeas.

Apesar de doenças de orquídeas ser tema de um futuro post, adianto que a ocorrência de doenças é uma excessão na natureza, as mesmas só ocorrem se as condições estão favoráveis, ou seja, é necessária a presença de um patógeno capaz de causar a doença (com virulência), de um hospedeiro suscetível, o ambiente favorável (temperatura, umidade, radiação, pH do substrato...) e, no caso de plantas cultivadas, as maneiras pelas quais o homem interfere, favorecendo ou não a ocorrência das doenças.

Segue um modelo (desculpem a minha limitação artística em desenhar!) no qual ilustra-se as etapas de germinação do esporo e início da colonização das hifas fúngicas ao longo do corpo da planta:


E o plástico vem a ser uma medida eficaz de controle de doenças, especialmente no verão quando temos muita umidade e temperatura favorável à proliferação de microrganismos virulentos no geral. Necessário cuidado para não propiciar formação de "barrigas" no plástico devido ao acúmulo de água, ele tem que ter caída e estar bem esticado.


Quanto ao eventual problema por super aquecimento, lembrem daquelas dicas anteriores, sombrite pelo menos 30 cm acima do plástico acima do plástico, como medida de se diluir a radiação que atingirá o plástico, de maneira que o mesmo não esquente tanto quanto poderia e, plantas afastadas em pelo menos 1,2 m da cobretura de plástico. Com esses cuidados, além de laterais abertas (mesmo as fechadas com telas), dificilmente se terá problemas com super aquecimento.

Agora quanto à tela sombrite, ao invés dos tradicionais 70 % de sombra como dizem nas revistas por aí, recomendo não mais que 60 %, pois o plástico com o passar do tempo, sujando, aumenta gradualmente a sombra, que somada com a corresposdente 70 % do sombrite acarretaria sombra em demasia, e seria um dilema para se escolher quais plantas ficariam penduradas em cima das outras.

Lembrando que é necessário o equilíbrio entre as variáveis de produção agrícola, ou se preferirem os biólogos, de desenvolvimento dos seres vivos, para o melhor desenvolvimento vegetal possível. De maneira resumidíssima a produtividade/desenvolvimento das plantas está em função do componente genético + temperatura + nutrientes minerais + luz + água, ou seja, pouco adianta, por exemplo, ter uma planta bem adubada, se esta não recebe água (vejam Visita técnica) e luz da maneira adequada.


Com telas de sombreamento correspondentes a 60 ou 50 %, ficaria tudo mais iluminado nas bancadas de baixo cabendo à experiência, ou conhecimento de habitates das plantas em questão, ir se escolhendo o lugar de cada uma no orquidário.

Microrquídeas terrestres sob mata fechada, como as das fotos abaixo, poderiam ocupar a prateleira mais abaixo deste esquema de orquidário (cliquem aqui)

Cyrtopodium glutiniferum Raddi, Mem. Mat. Fis. Soc. Ital. Sci. 19(2): 220 (1823), como as da foto a seguir, ambos no habitat (campos rupestres altimontanos), necessitam receber mais luz para terem seu ciclo vital completado, provavelmente pela evolução terem lhes conferidos baixa eficiência da conversão da energia luminosa para energia química nos primeiros processos da fotossíntese, fazendo-as necessitar de mais luz (só hipótese!).

A seguir, fotos tiradas no mesmo dia de dois vasos de Acianthera teres (Lindl.) Borba, Sitientibus, Ciênc. Biol. 3: 23 (2003), também evoluída e fixada como espécie nos campos rupestres altimontanos, a principal diferença é que o vaso da foto na esquerda estava sob condição de luminosidade próxima ao ideal, e a da foto à direita mais à sombra, e suas folhas estiolaram.













Ambas espécies de campos rupestres altimontanos as cultivo fora do espaço do orquidário, direto sob o Sol de metade do dia ao menos e penduradas nas beiradas do mesmo.

A seguir, dois ambientes distintos da Microlaelia lundii (Rchb.f. & Warm.) Chiron & V.P.Castro, Richardiana 2: 11 (2002), à esquerda sob insolação direta o dia todo, e à direita sob bastante sombra. Embora a mesma tenha condições de florescer em uma amplitude muito grande de condições de luminosidade, recomendo que o cultivo da mesma se dê na direção da foto da esquerda, maior insolação, por ser mais fácil de se controlar doenças nestas.













Agora, como saber se as plantas estão recebendo luminosidade em demasia?

Observando os sintomas:

Ao lado, uma Cattleya nobilior literalmente esquecida sob o Sol durante uma mudança, tendo
duas de suas folhas feridas com uma luminosidade maior do que
aquela que estavam "acostumadas" a suportar. Notem que as queimaduras foram exatamente nas sueperfícies mais planas das respectivas folhas, justamente onde devido ao ângulo perpendicular com a incidência luminosa, a mesma foi mais concentrada.




Por isso e mais um pouco, e apesar de eu ser suspeito para falar, gosto de referir-me à agronomia de ponta como uma ecologia aplicada, uma vez que trata de estudar e correlacionar biologia de planta, biologia de pragas, química e física (dentre tantas outras ciências) e aplicá-las de maneira que obtenha uma melhor produção agrícola.

Este post abre caminho para uma série de outros posts, que a muito tinha em mente, sobre fisiologia vegetal, fitopatologia e ecologia (refiro-me à ecologia como ciência, não aquela filosófica cujo termo é subestimad0) aplicada ao cultivo de orquídeas.


13 comentários:

Luciano Lima disse...

Olá Marcus,
Tudo bom?

Bom saber que você gosta do Caapora, queria também lhe dar os parabéns pelo seu interessantíssimo blog.
Embora meu conhecimento sobre orquídeas seja bastante limitado elas encabeçam a lista de plantas que acho mais interessantes. Vira e mexe nas minhas expedições Brasil afora me deparo com belíssimas orquídeas em floração e perco a noção do tempo admirando estas maravilhas.
Aquele abraço e aguardo mais visitas suas ao Caapora.

BEDMILTON disse...

MARCUS...VOU DISCORDAR DE VC EM APENAS UM PONTO: TENHO ORQUIDEAS A APROXIMADAMENTE 5 ANOS E NAO TENHO COBERTURA PLASTICA EM MEU ORQUIDARIO,USO SOMBRITE A 50% E NA ÉPOCA DAS CHUVAS É QUE MINHAS ORQUIDEAS SE DESENVOLVEM MELHOR..
PRATICAMENTE NAO SEI O QUE É PRAGA, TIRANDO ALGUNS EVENTUAIS PULGÕES AMARELOS QUE VEM VOANDO DE OUTRAS PLANTAS...
CREIO QUE TENDO SUBSTRATO EM BOM ESTADO E BEM AREJADO...COM BOA ILUMINAÇÃO, BOA VENTILAÇÃO E BOA UMIDADE, AS CHUVAS SÓ SÃO BENÉFICAS ÁS PLANTAS...AFINAL NO HABITAT NINGUEM COBRE ELAS DURANTE AS CHUVAS, NÉ?..RS
PS: MORO EM SÃO PAULO, CAPITAL E AQUI CHOVEEEE PRA CARAMBA!

Marcus V. Locatelli disse...

bedmilton, visitei seu blog e a partir dele seu album no orkut, realmente seu orquidário não está coberto de plástico e no geral, repito, no geral, suas plantas realmente estão muito bem.
Se prestar atenção no texto quando digo "...adianto que a ocorrência de doenças é uma excessão na natureza, as mesmas só ocorrem se as condições estão favoráveis, ou seja, é necessária a presença de um patógeno capaz de causar a doença (com virulência), de um hospedeiro suscetível, o ambiente favorável (temperatura, umidade, radiação, pH do substrato...) e, no caso de plantas cultivadas, as maneiras pelas quais o homem interfere, favorecendo ou não a ocorrência das doenças."
Então, por exemplo, se as suas plantas estão recebendo todas as chuvas que caem no ano, e no geral não adoecem, algo esta compensando, talvez o arejamento do lugar, ou o uso de alguns produtos praguicidas, ou a ausência de patógenos no seu ambiente, ou talvez até a chuva poluída de sampa que de certa forma pode até inibir a germinação dos esporos fúngicos (quem sabe?!), ou a nutrição bem equilibrada que tornam as plantas mais resistentes, enfim algo que conscientemente ou inconscientemente esteja fazendo que está dando certo.
Ainda, não disse que com as chuvas se perde todas as plantas, a idéia que tentei passar é que perdemos uma parte, pois se ler de novo o trecho que sito, a parte do "hospedeiro susceptível" deverá entender que o adoecimento das plantas é em grande parte evitado pelas suas características genéticas em si, quer dizer, se você tem um orquidário muito diversificado, é bem menos provável que um surto de doenças acabe com todas as suas plantas ao invés de algumas somente.
E é com a intenção de evitar as perdas dessas "algumas" que recomendo o plástico, que vem a ser uma tecnologia bastante interessante para se ter orquídeas saudáveis.
Agora voltando ao começo, naquela história de que no geral suas plantas estão muito bem, preste atenção em algumas folhas podres de sua Blc. Alma Kee, do Paphiopedilum x leanum e nas poucas folhas de um Phalaenopsis também, ainda neste último há nítidos sinais de bacteriose nas folhas que sobraram.
Tudo isso poderia ser prevenido, embora não seja algo com que se preocupar muito no atual estágio.
Por fim, quanto ao seu comentário de que não cobre com plástico porque nos habitats não há ninguém que cubra as orquídeas também, é justamente o tipo de coisa que me motivou criar meu blog, as pseudociências envolvidas na orquidofilia.

silvio disse...

Fale amigo, sou o Silvio do Orkut. Belas dicas, as fotos são lindas, que mundo virtual pequeno heim, eu vasculhando te achei. Ha Sobre a cobertura de polástico, é claro que tem que ter sim, eu não tenho tenho apenas sobrite, mas em épocas de chuvas, que aqui em Belém tem quase sempre, chego a perde várias plantas por excesso de água.

sim disse...

ola meu nome e lucas tenho 13 anos e cultivo orquideas a mais de um ano tenho base de 50 mudas meu sonho e ter a catleya labiata

Circulando disse...

Caro Marcus e com alegria que acompanho seu blog, em minha vida empre busquei explicações pautadas nos estudos ou nas observações da natureza, nunca dei ouvidos nas falas como (ouvi diser ou acho que é assim) a construção do nosso caminho será sempre atravez da observação do meio.
Bem vou fazer meu primeiro orquidario coberto e sua matéria foi fundamental para a execução do mesmo será coberto com plastico e sombrite penso em fazer dois ambientes um com sombrite 50% outro c/ 70% para que possa oferecer luminosidade o mais proximo possivel para as variadas especies.
Um grande abraço e saiba que vc tem cido util para outras pessoas atravez do seu blog, e o mais belo do ser humano é a diseminação doconhecimento.

Lucas disse...

Boa tarde Marcus, a minha duvida se refere ao sombrite, eles falam que não pode ser preto, mas na minha cidade eu não acho de outra cor o que vc tem a me dizer, e com respeito ao plastico é o transparente, o leitoso ou aquele verde que dizem obstruir os raios ultra-violeta.
Aguardo sua resposta
Obrigado
Ronaldo

Emanuel disse...

OLÁ MARCUS, TUDO BOM.

ESTAVA VENDO SEU BLOG E ACHEI MUITO INTERESSANTE. MAS GOSTARIA DE SABER SE A FORMULAÇÃO DO MEIO DE CULTURA PARA O CULTIVO "IN VITRO" QUANDO COLOCADA NO RECIPIENTE DEPOI DE FERVIDA, SE A SEMEADURA DEVE SER FEITA COM O MEIO AINDA QUENTE OU ESPERA ESFRIAR??

Nosdekaruta disse...

Olá Marcus, no meu pequeno orquidario, estou usando sobrite de 70 e em outra bancada de 50. Assim, pretendo resolver as nescessidades de cada planta.Coloquei em cima das bancadas, telha de amianto e cobri com areia lavada, que mantenho sempre umida. As orquideas estão indo muito bem com boas floradas. O q v. acha da ideia. edson.

Eusdalia disse...

Gostei muito do seu blog! Tenho uma pergunta: De que lado se cobre o orquidário, sendo que o terreno recebe luz solar do nascente e do poente.
Aguardo sua resposta
Obrigada.

leia oliveira disse...

olá td bem? estou planejando fazer uma cobertura para servir de orquidário aqui em casa, mas tenho duvidas a respeito, pensei em fazer de policarbonato fumê, mas estou com medo das orquídeas não gostarem, e por ser uma cobertura relativamente cara, gostaria a opinião de algum especialista... o espaço reservado a elas é um corredor lateral, de 6m x 1,6m, tendo duas portas nas extremidades e a janela da sala de jantar em uma lateral, na outra é muro. Como aqui em goias é bem quente, me disseraam que seria uma boa ideia já que o policarbonato reduz a entrada de sol, e segura uma temperatura agradável... o que vc acha? por enquanto obrigada...

Anônimo disse...

Ola bom dia....

Preciso muito de algumas informações....embora tenha visto mts dicas nos sites do google, continuo com o medo em pecar qt a minhas orquideas. Estou com 34 vasos da msm... deixo as em minha garagem onde tem bastante claridade porem sem sol direto na parte da manha. Com a chegada do outuno,o vento passou a ser um pouco mais forte. Estou pensando em construir uma peq estufa no quintal onde elas irão pegar o sol da manha,tem menos vento.... mas estou com dificuldade em encontrar o sombrite. Posso usar telinha verde (usada em proteção para janelas) no lugar do sombrite. Tenho tbm alguma dificuldade em encontrar substratos e vitaminas...oq me aconselha a usar na falta dos msm...alguma solução caseira,sei la. Aguardo ansiosa pela resposta e mt obrigada pela atenção.

OBS. Ha outra coisa...para q minhas bebes vingassem,tive q misturar terra a pedaços pinus,carvão,etc... Posso continuar com essa mistura?

Anônimo disse...

Sem o plastico não estraga a madeira?