sábado, 19 de abril de 2008

Ácaros e bacteriose em Phalaenopsis

A bacteriose em Phalaenopsis, tem como agente causal mais citado na literatura (ao menos pelo que pude encontrar) a bactéria Pectobacterium carotovora, cujos sintomas de infecção mais comuns são podridão mole (enzimas pectinolíticas liberadas pela Pectobacterium carotovora no tecido interno da planta, mesófilo, degradam pectatos de Ca da lamela média que é o “cimento” que une uma célula vegetal a outra) em folhas e podridão mole em pseudobulbos, essa podridão também é chamada de anasarca (regiões encharcadas e de péssimo odor). Além deste agente, citam-se outras bactérias com o potencial de causarem doença em orquídeas no geral, tais como: Pseudomonas sp., Erwinia carotovora, Erwinia chrysanthemi e Acidovorax avenae patovar cattleyae, mas para que sejam devidamente identificadas faz-se necessário testes bioquímicos mais complexos.

Bacterioses em plantas não tem cura, por serem doenças sistêmicas. Assim, o melhor controle se dá pela prevenção. Existem alguns antibióticos de uso agrícola, mas absolutamente desaconselhados, pelo grande risco de contaminação humana e ambiental que seu uso traz consigo.

Sabe-se que ao contrário de alguns fungos, as bactérias não penetram ativamente no corpo da planta, pelo fato de não possuírem artefatos biquímicos tais como enzimas que quando liberadas na superfície de uma folha, por exemplo, degradariam a cutícula da mesma diminuindo assim a resistência mecânica à penetração outrora existente.

Assim, seu melhor controle se dá controlando os agentes que literalmente colocariam as bactérias para dentro do corpo da planta, os vetores, especialmente insetos e ácaros.

Agora aqui, vamos falar dos ácaros que são seres microscópicos, como se pode ver na foto abaixo (retirada de Wikipedia), um ácaro bastante comum em nossas residências, a escala no canto inferior direito na mesma, cerca de 2 cm equivalendo-se a 50 μm, aumento de cerca de 400 vezes, ou ainda, 1 cm na foto equivalendo–se a 0,0025 cm na realidade.

Os ácaros fitófagos alimentam-se do suco celular ao rasparem as células com seu aparelho bucal apropriado. Nisso, abrem feridas que servem de entrada para os vírus e bactérias.

Os ácaros do gênero Brevipalpus (família Tenuipalpidae), por exemplo, são importantes vetores de viroses na citricultura brasileira, demandando milhões de dólares anualmente para seu controle.

No caso do ácaro da leprose dos citros, Brevipalpus phoenix, aqui no nosso clima tropical, e sub-tropical, o aumento populacional se dá a partir dos meses de abril/maio, declinando-se novamente a partir de outubro/nomembro, ou seja, eles desenvolvem-se melhor em ambientes mais secos, e o aumento das chuvas de certa maneira os controlam.

As fotos abaixo apresentam sintomas de raspagem celular pelos ácaros (em baixo relevo) nas folhas de Phalaenopsis, e as pintas pretas e manchas amareladas (sem baixo relevo), sintomas de uma provável infecção bacteriana.




















Como medida de controle aos ácaros, citam-se as relacionadas aos tratos culturais, tais como evitar o acúmulo de poeira na superfície das folhas, o que serviria de proteção aos ácaros, e manter sempre o orquidário o mais arejado possível.

Em se tratando de controle químico, muito embora não haja no Brasil algum produto registrado para a cultura de orquídeas (novidade!), e longe de mim receitar um produto que não é registrado pelas autoridades competentes, me arriscando ter meu registro no CREA cassado antes mesmo de retirá-lo, mas sei que o pessoal tem usado acaricidas a base de fosforados, clorodifenilsulfona, dinitrofenol e clorados, ambos produtos perigosos que necessitam de EXTREMA CAUTELA quanto à aplicação, a partir do uso de equipamentos de proteção individuais (EPIs) por pessoas que efetivarão as pulverizações, bem como algum tempo, especificado na bula de cada um, a se evitar ter contato com as plantas e áreas pulverizadas.

Lembrando também que, ainda o principal vetor de doenças em plantas cultivadas é o bicho homem, por meio de práticas descuidadas como, ferimentos excessivos com ferramentas de corte bem como a utilização destas imediatamente de uma planta para outra, sem uma necessária desinfestação, água de irrigação de origem contaminada, além de irrigação de maneira pouco embasada (recomendo a leitura aqui e aqui), aquisição de mudas ou de qualquer outro produto empregado no cultivo de procedência duvidosa e, plantas em bancadas muito tumultuadas, plantas raspando em plantas, etc.

Enfim, o que se deve ter em mente é não deixar ferimentos nas plantas expostos por muito tempo, pulverizar um pouco canela em pó (que possui fenóis que no geral são substâncias microbicidas) bem como pincelar calda bordaleza (mistura de sulfato de cobre, carbonato de cálcio e água) ajuda a selar uma superfície aberta por um corte.

Abaixo, uma foto de uma Phalaenopsis comprovadamente condenada, as manchas douradas circulares são sintomas de virose (causada pelo CyMV - Cymbidium Mosaic Virus) e nas folhas à direita, é possível notar sintomas de anasarca.

8 comentários:

Ricardo disse...

ACHEI MUITO INTERESSANTE ESSA PAGINA... PARABÉNS!!!!DEIXO MEU MSN, SE QUISER ME ADD....thdpsf@hotmail.com
Ricardo, Caratinga, MG

leandro disse...

sou produtor de Phalaenopsis em Holambra-SP, concordo com o que você sitou...mais temos outros ácaros na Phalaenopsis pouco conhecidos no Brasil...caso queira trocar informações.

Leandrojf15@hotmail.com


Abraço

anna disse...

gostaria muito de saber sobre bacterioses vegetais pois tenho um trabalho pra apresentar e não acho sobre isso em lugar algum se puder me ajudar agradeço

mgloriam disse...

Adorei a matéria, tive um ataque de ácaros em minhas phal. consegui controlar usando escovação com óleo de neem e canela, seria possível altorizar a publicação da matéria ou colocação de link em meu blog?

Anônimo disse...

Parabéns pelo texto...

Tenho um grande orquidário em Natal e de uns tempos prá cá um tipo de bactéria tem ocasionado a perda de hastes florais e flores de orquídea Vanda como se o tivesse derrubado água quente em toda haste floral... Primeiramente, percebi que haviam muitos ácaros em meio às flores velhas e secas de cattleyas, e iniciamos um tratamento específico para ácaros... As plantas se recuperaram muito mas ainda estamos tendo problemas com machas aquosas nas flores que evoluem muito rápido para o apodrecimento das hastes florais, essa semana entramos com o bactericida para ver se eliminamos o problema...

Att.
Edison Antonio de Mattos.
www.orquidarioedsmattos.com.br

rose disse...

no site FRUTEX, doenças de plantas ornamentais, encontrei uma boa orientação sobre acaros e afins, inclusive ensinam a combater os referidos com enxofre, e tb. há tabelas de fungidas etc. e tal, espero que aproveitem.

Anônimo disse...

que produto vc usou para combater o ácaro

marcia franco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.